Há quatro concorrentes para renovar a frota da Transtejo com dez barcos eléctricos

Primeiros navios eléctricos que farão a travessia entre Lisboa e Cacilhas, Seixal e Montijo deverão chegar em 2022.

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Depois de décadas a fazer a travessia entre as duas margens, os velhos cacilheiros deverão ter como fim o abate nuno ferreira santos

O concurso lançado pela Transtejo em Janeiro para a compra de dez novos navios eléctricos que vão renovar a velha frota da Transtejo atraiu quatro concorrentes. São eles a Majestic Glow Marine PTE, Astilleros Gondan, os Estaleiros Navais de Peniche e a Holland Shipyards B.V., anunciou a transportadora fluvial esta terça-feira, em comunicado.

Estes navios, 100% eléctricos e com uma lotação semelhante à dos existentes, vão “substituir integralmente a frota” da Transtejo, com excepção de dois barcos com transporte automóvel que fazem ligação à Trafaria. Os primeiros quatro navios têm chegada prevista para 2022, mais quatro em 2023 e mais dois em 2024, ficando assim a nova frota completa. Vão assegurar as ligações fluviais entre Lisboa e Cacilhas, Seixal e Montijo, ter um impacto sobre três milhões de habitantes​ e “permitir melhorias significativas nos padrões de conforto e segurança oferecidos aos passageiros”, salienta a empresa de transporte fluvial, em comunicado. 

Além dos Estaleiros de Peniche, os restantes concorrentes são empresas de Singapura, Espanha e Países Baixos, respectivamente, que apresentaram propostas abaixo do preço base, que é de 57 milhões de euros. Segue-se agora a fase de análise das propostas apresentadas pelas empresas e, segundo prevê o secretário de Estado da Mobilidade, Eduardo Pinheiro, o contrato deverá ser assinado em Outubro. Terá de ser depois remetido para o Tribunal de Contas, esperando assim que o processo esteja concluído até ao final deste ano para que a construção das embarcações avance. 

Este concurso foi lançado em Janeiro, já depois de o primeiro procedimento, que previa a compra de barcos a gás, ter sido cancelado no final do ano. Na altura, segundo explicou o governante, o concorrentes não tinha demonstrado o “cumprimento dos requisitos de capacidade técnica exigidos”. Em causa estava um investimento de 90 milhões de euros — 57 milhões para os navios e 33 milhões para a manutenção durante um período de cinco anos. As embarcações chegariam um ano mais cedo, em 2021. Esse percalço, diz agora ao PÚBLICO, permitiu que o concurso fosse repensado. 

“A operação no Tejo é única no mundo. Não há outra com estas dimensões, com esta frequência. Substituir o diesel por outra qualquer tecnologia é sempre um desafio para qualquer empresa”, nota Eduardo Pinheiro. Um dos grandes objectivos, explica, além de dar maior fiabilidade à operação, baixar os custos de manutenção e o consumo, era o impacto ambiental. “Para nós era determinante reduzir as emissões de carbono. O gás era melhor do que o diesel, mas não cumpria a o nosso compromisso para a neutralidade carbónica até 2050”, nota.

Com a compra de navios eléctricos, que circularão no Tejo nas próximas décadas, o nível de emissões de gases com efeito de estufa (GEE) baixará consideravelmente. Segundo nota a empresa, só em em 2019 foram consumidos cerca de 5,2 milhões de litros de gasóleo, que correspondem à emissão de 13,1 mil toneladas de dióxido de carbono. 

De acordo com dados do Ministério do Ambiente e da Acção Climática, entre Abril de 2019 — mês em que entrou em vigor o passe metropolitano que permite circular pelos 18 municípios da Grande Lisboa por 40 euros — e Fevereiro de 2020, foram transportados, em média, 28,2 mil passageiros por dia.

Quanto ao destino dos velhos cacilheiros — cuja idade média está próxima dos 40 anos —, Eduardo Pinheiro avança que o seu fim mais provável será o abate.