Os mais e os menos de uma época com asterisco

Sérgio Conceição foi o treinador campeão, mas houve muitos outros que brilharam no banco. Numa época que teve prolongamento devido à paragem forçada pela pandemia, o Minho mostrou a sua força, Amorim pode não ter tido um grande final no Sporting, mas teve um excelente princípio em Braga, e, como sempre, houve contratações certeiras e falhadas. Varandas falhou nos “leões”, o Benfica eclipsou-se e o Desportivo das Aves protagonizou uma descida ao abismo.

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O FC Porto foi campeão numa época marcada pela pandemia LUSA/JOSE COELHO

Os mais

Corona
Não marcou tantas vezes como no ano de estreia. Aliás, em matéria de finalização, só superou a terceira época, assinando quatro golos. Mas Jesús Corona foi elemento fundamental na campanha portista, tanto no ataque, a promover desequilíbrios quando a equipa denotava maior rigidez, como na defesa, a cumprir tacticamente, sem reclamar. O mexicano foi decisivo e superou outras figuras da casa, como Telles, Marchesín e Pepe.

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João Pedro Sousa
Descontando o sucesso de Conceição, com o segundo título em três possíveis, sublinhe-se o papel de treinadores como Carvalhal (Rio Ave) – venceu a discussão europeia – e João Henriques (Santa Clara). Mas o destaque foi João Pedro Sousa e a carreira do Famalicão, apesar do sonho europeu destruído à beira do fim. Não menos relevante, Vítor Oliveira tirou o Gil Vicente das catacumbas. 

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Rúben Amorim
Foi do Campeonato de Portugal ao Sporting como um meteoro. Os resultados provaram ter condições para se impor. Amorim fecharia 2019/20 com duas derrotas (as únicas em 20 jogos na Liga) e um empate (num total de quatro). Perdeu o terceiro lugar para o antigo clube, é certo, mas não se arrepende de nada. O Sp. Braga apostou no técnico da equipa B por quem os “leões” arriscaram 10 milhões. 

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Sp. Braga
Sobreviver a sucessivas mudanças de treinador numa só época, recorrendo sempre à “prata da casa”, e ainda garantir o terceiro lugar na Liga — além de uma campanha europeia positiva e de uma Taça da Liga — é digno de nota. Os minhotos consolidam o estatuto sem perderem a ambição de um dia serem campeões.

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Minho em alta
No top-10 da Liga cabem Braga, Famalicão, Guimarães (Vitória e Moreirense) e Barcelos, o Minho em alta, com bom futebol e projectos sustentáveis. No mínimo, admirável. 

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Os menos

Desp. Aves
A estrondosa queda no abismo do emblema da Vila das Aves não deixou ninguém indiferente. Os problemas foram-se acumulando ao ponto de tornarem a gestão insustentável. Ainda assim, poucos esperariam um desfecho tão dramático, com os últimos episódios a raiarem o surrealismo. Fica, apesar das marcas profundas na história de um emblema que inscreveu o nome entre os vencedores da Taça de Portugal, o exemplo para que não se repita.

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Benfica
Deixar escapar um título que chegou a ser praticamente um dado adquirido até à derrota no Dragão e ao desaire imediato com o Sp. Braga, seria suficiente para ensombrar toda uma campanha do clube da Luz. Época marcada por casos de polícia e tribunais, que acabaram por arrastar e envolver a equipa, o treinador e o investimento numa espiral de consequências imprevisíveis… que Filipe Vieira tenta travar com o regresso de Jorge Jesus.

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Frederico Varandas
Vender Bas Dost ao desbarato (7M) não indiciava nada de bom em matéria de gestão. As saídas de Thierry Correia (12M), Raphinha (21M) e Félix Correia (3,5M) confirmavam a necessidade de obter liquidez… que os negócios de Jesé, Bolasie, Fernando, Camacho e Vietto foram absorvendo. Assumir a cláusula de 10 milhões de euros de Rúben Amorim mereceu críticas violentas, desconhecendo-se o retorno. Certo, é que o Sp. Braga garantiu o pódio da Liga.

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Raúl de Tomás
O Benfica apostou alto, mas o investimento não teve o retorno desejado, transformando-se num milhão de dúvidas. O espanhol cumpriu 17 jogos e assinou três golos (um na Champions e os outros nas taças… nenhum na Liga) com a camisola do Benfica, antes de tentar a felicidade no “aflito” – agora condenado – Espanyol, com os “periquitos” a assumirem o cheque de 21 milhões pago pelas “águias” ao Real Madrid. 

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Nakajima
Sem Brahimi, o FC Porto pagou 12 milhões por 50% do passe, superando os números de Hulk. Como criativo, não deve aferir-se o rendimento pelos golos. Nos 16 jogos de liga, Nakajima só foi titular em quatro. Mas o pior viria depois do confinamento. A recusa de voltar aos treinos criou um caso insanável no Dragão.

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