Torne-se perito

Audi de ataque é homenagem à história do Axis Ponte de Lima

Etapa do Norte encerrou as provas classificativas do WCGC Portugal 2020

César Campos e Ramiro Vieira Pinto da equipa AUDI 1 foram os vencedores desta etapa com 67 pontos © Octávio Passos / GolfTattoo - WCGC Portugal
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César Campos e Ramiro Vieira Pinto da equipa AUDI 1 foram os vencedores desta etapa com 67 pontos © Octávio Passos / GolfTattoo - WCGC Portugal

A quinta e última etapa qualificativa da época de 2020 do World Corporate Golf Challenge (WCGC) em Portugal decorreu no Axis Ponte de Lima, um campo singular na história do golfe nacional e as suas características ímpares vieram ao de cima na atribuição do título.

O Axis Ponte de Lima é o único campo de golfe desenhado por um dos grandes campeões da história da modalidade no nosso país.

Falamos de Daniel Silva, há muitos anos radicado no Canadá, mas que, há 30 anos, foi o primeiro golfista profissional a dar cartas entre nós, vencendo a Final da Escola de Qualificação do European Tour em 1990. Dois anos mais tarde tornou-se no primeiro português a conquistar um título do European Tour, um feito apenas igualado por Filipe Lima em 2004 e Ricardo Santos em 2012.

Pois foi esse Daniel que desenhou o lindo percurso do Minho, conjuntamente com o seu irmão David Silva, um ex-presidente da PGA de Portugal e actual treinador de eleição na Finlândia,

Quem conhece o Daniel sabe que era um jogador profissional persistente, que primava pela técnica evoluída e, ao deparar-se com o terreno desafiante que tinha pela frente, imaginou um traçado igualmente exigente do ponto de vista técnico.

Não é qualquer um que ganha no Axis Ponte de Lima. Não basta bater forte e em frente na bola. Há que ter estratégia de jogo, interpretar os obstáculos e avaliar correctamente a relação risco-recompensa em cada buraco.

O campo já por várias vezes recebeu etapas do PGA Portugal Tour e, por exemplo, da última vez que os profissionais portugueses o visitaram, em 2018, só dois jogadores conseguiram bater o Par do campo após os 36 buracos regulamentares desse Axis PGA Open e com -1!

O título foi conquistado por Nelson Cavalheiro, o actual presidente da PGA de Portugal, na altura com 48 anos, que usou a sua experiência e sapiência para bater no play-off João Carlota, que na altura competia no Challenge Tour.

Tem, por isso, toda a razão Ramiro Vieira Pinto quando, depois de vencer a etapa qualificativa de Ponte de Lima do WCGC, declarou ao programa Golf Report da SIC Notícias: "O WCGC tem muita tradição e quando vimos para este torneio é para tentar ganhar e não só para participar. Quem vier para participar, tudo bem, mas nós viemos para ganhar. E para isso há que treinar, não pode ser só chegar aqui e tentar jogar bem porque isso, às vezes, não chega. Tem de treinar-se todos os dias".

Ramiro Vieira Pinto esteve 12 anos sem disputar a fase nacional deste Campeonato Mundial de Empresas, mas decidiu aceitar o repto que foi-lhe formulado por Hélder Lopes, um director de vendas da marca alemã no Porto que foi, ele próprio, atleta de alta competição – um dos melhores tenistas portugueses da sua geração.

 

Ramiro Vieira Pinto da equipa Audi I, a vencedora da etapa disputada no campo de golfe de Axis Ponte de Lima © Octávio Passos / GolfTattoo - WCGC Portugal

"Arranjei um amigo, o César Campos, e jogámos a atacar", disse Ramiro Vieira Pinto ao ´Golftattoo´. Um convite acertadíssimos uma vez que, juntos, levaram a formação n.º1 da Audi a dominar quer a classificação gross quer a net: Ramiro com 29 pontos net e 26 gross, César com 38 e 34, respectivamente.

"Jogámos mesmo a atacar, porque sabíamos que não havia mais hipóteses para irmos à final. Jogámos o máximo. Sempre a sair de drives, a atacar as bandeiras, e o putt para passar. Como esta prova é individual e não estamos a jogar em pares, preparámos o torneio jogando torneios normais, treinando no dia a dia e conseguimos ser apurados para a Final Nacional", especificou, de novo em declarações ao canal televisivo de Paço d’Arcos.

 Na classificação stableford net a formação Audi-1 totalizou, portanto, 67 pontos, deixando no 2.º lugar a equipa da casa, constituída por Bruno Miguel Teixeira (37) e Tiago Araújo (28). Na tabela gross a Audi-1 somou 60 pontos, superando por 4 a Executive Digest de António Costa (23) e Tiago Costa (33).

A Executive Digest acabou por vencer o prémio do primeiro lugar Gross uma vez que a classificação Net prevalece. Estas equipas apuraram-se para a Final Nacional, marcada para o Montado Hotel & Golf Resort, em Palmela, a 29 Agosto.

As outras empresas que também se apuraram para a Final Nacional em Ponte de Lima foram as seguintes: Axis Ponte de Lima-1 (64 pontos net) de Carlos Filipe Silva (32) e Manuel Francisco Miguel (32); Litel (62), de Luís Carneiro (35) e Pedro Nuno Carneiro (27); Clipraxis (61) de Abílio Nascimento Ramos (24) e José João Soares (37); Costa Verde-2 (61) de Henrique José Mateus (31) e José Domingos Silva (30).

E na final é melhor contarem de novo com a Audi. Ramiro Vieira Pinto está motivado e promete luta para tentar o lugar na Final Mundial: «Hoje não meti putt nenhum e ganhámos. Por isso, na Final Nacional será melhor. Hoje, o meu companheiro fez 2 pancadas acima do Par eu fiz 10, mas acho que da próxima vez irei fazer também 2 acima. Esperem por mim».

 

O campo de Axis Ponte de LIma apresentou-se em excelentes condições para receber o torneio pelo 5º ano © Octávio Passos / GolfTattoo - WCGC Portugal

O Axis Ponte de Lima ficará marcado em 2020 por ter sido o torneio que captou mais participantes – 40 equipas e 80 jogadores – e a directora do campo, La Salete Correia, não poderia estar mais satisfeita.

«É óptimo recebermos de novo o WCGC. Penso que é o quinto ano. É um torneio com muito prestígio. As pessoas reconhecem a marca, reconhecem os patrocinadores e acorrem naturalmente. Teríamos tido mais pessoas se fosse possível, mas, hoje em dia, com as limitações, não podemos ter tantos jogadores quanto gostaríamos, mas é muito importante para nós e esperamos tê-lo por muitos anos aqui», sublinhou.

Pedro Castelo Branco, o director geral da Golftattoo Eventos, grupo que, pela primeira vez, tomou conta do WCGC Portugal em 2020, apreciou de sobremaneira o Axis Ponte de Lima, apesar de, devido à pandemia, ter sido forçado a realizar o torneio mais tarde do que o originalmente previsto.

«O Axis Ponte de Lima demonstrou, desde o início, entusiasmo por receber esta prova. O campo foi apresentado em excelentes condições. Esta altura do ano não é fácil para a manutenção, devido ao calor e à falta de chuva há mais de 40 dias, mas, mesmo assim, o campo está impecável», enfatizou Pedro Castelo Branco.

La Salete Correia explicou que procurou ter o campo o melhor possível e o resultado final foi excelente: «Toda a equipa de manutenção teve um empenho extraordinário para que tudo corresse pelo melhor. Obviamente que, nesta altura do ano, os fairways estão um bocadinho mais penalizados pelo calor, mas, mesmo assim, penso que está bastante bom e que conseguimos receber o WCGC com bastante qualidade».

Os jogadores foram todos da mesma opinião e alguns deles aproveitaram para trabalhar ao mesmo tempo que passavam um bom tempo no campo, como explicou João Potier, director geral da empresa representante da Garofalo, que neste torneio fez questão de apoiar o evento com outra das suas marcas, a Saludães: «Já encontrámos nestes torneios pessoas muito interessantes e estabelecemos algumas parcerias como consequência do torneio. Faz-se um pouco de networking no campo e surgem sempre oportunidades. Depois, se elas têm ou não pernas para avançar, compete a todos, mas os contactos ficam sempre».

Imagem do apuramento de resultados cumprindo-se as novas regras de segurança © Octávio Passos / GolfTattoo - WCGC Portugal

Terminada a fase qualificativa de cinco torneios, disputados no Palmares Ocean Living & Golf, Guardian Bom Sucesso Resort, Golf Estoril Championship Course, Clube de Golf do Santo da Serra e Axis Ponte de Lima, Pedro Castelo Branco pode sentir-se aliviado e orgulhoso da tormenta porque passou com a pandemia.

«Este é o primeiro ano em que temos a responsabilidade de organizar este evento. Tínhamos o ónus da prova e chegámos agora ao fim da fase de qualificação com um balanço bastante positivo. Fomos tendo uma adesão cada vez maior aos nossos torneios. Ainda por cima, calhou-nos logo um ano totalmente atípico. Formos todos obrigados a um confinamento inesperado e confesso que chegou a colocar-se em causa a segunda metade do circuito. Mas com o recomeço, graças ao apoio dos nossos parceiros e ao entusiasmo que temos recebido dos jogadores e das empresas, resolvemos continuar. Valeu a pena, pois tivemos uma adesão enorme na Madeira e nesta última etapa ainda mais. Foi o maior número de inscritos de todo o circuito. Portanto, vamos ter uma Final Nacional que promete».

 

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