Porto: há um novo Astória no Palácio das Cardosas

O Hotel Intercontinental reabriu, estreando o novo figurino do seu restaurante: abandonou a localização com vista para a Praça da Liberdade e apresenta-se agora mais descontraído e informal.

,Cardápio
Fotogaleria
DR
restaurantes,hoteis,restaurante,gastronomia,fugas,porto,
Fotogaleria
DR
restaurantes,hoteis,restaurante,gastronomia,fugas,porto,
Fotogaleria
DR
restaurantes,hoteis,restaurante,gastronomia,fugas,porto,
Fotogaleria
DR
restaurantes,hoteis,restaurante,gastronomia,fugas,porto,
Fotogaleria
DR
Cozinha vegetariana
Fotogaleria
DR

Estava tudo pronto em meados de Março. Até que uma pandemia virou o mundo do avesso e o Hotel Intercontinental Palácio das Cardosas, no Porto, fechou portas na segunda quinzena desse mês. A estreia do restaurante Astória versão 2020 foi, assim, adiada.

Aconteceu a 15 de Julho, o dia em que a cidade assistia à comemoração de mais um título de campeão nacional, o 29.º, do FC Porto. Não é à toa que se faz aqui esta referência: situado no fim da Avenida dos Aliados, o hotel poderia ter feito coincidir a sua reabertura com mais uma enchente de adeptos, que sempre fazem uso da sala de visitas da Invicta para celebrar as vitórias do clube, mas, neste estranho 2020, os festejos foram mais contidos. E o regresso do Intercontinental à vida activa fez-se sem grandes sobressaltos no exterior – para o bem e para o mal.

PÚBLICO -
Foto
DR

Na noite seguinte, numa quinta-feira invulgarmente quente no Porto – 30 graus à meia-noite –, cruzámos a porta giratória do hotel, um dos mais requintados da cidade, para conhecer o seu novo restaurante. A primeira diferença é óbvia: o Astória, que desde 1911 fez parte da paisagem do Porto, com as suas vistas para a Praça da Liberdade, mudou de sítio. Está agora noutra sala do hotel que dá para um logradouro, onde até ao final deste ano há-de nascer uma esplanada. E também mudou de “roupa”: apresenta-se agora mais descontraído e informal, numa sala de paredes verdes onde há um piano ao centro, um jardim suspenso e muita luz natural.

A contribuir para o aligeirar do tom deste novo Astória está também o menu idealizado pelo chef Paulo Leite, que comanda a cozinha do hotel desde Dezembro de 2018. Este refrescamento nota-se nas duas cartas que desenvolveu para dois momentos do dia: o brunch e o jantar. O brunch é, aliás, uma das principais apostas da temporada no Astória. Está disponível todos os dias, das 10h30 às 18h30. A sua versão mais “básica”, o Brunch das Cardosas, custa 15€ e inclui sumo de laranja natural, iogurte com fruta e granola ou panquecas, ovos à escolha, café americano ou chá. Mas vários outros pratos podem ser acrescentados, dos bagels de assinatura aos pregos no pão, passando pelos clássicos do carvão e terminando nas sobremesas de encher o olho.

PÚBLICO -
Foto
DR

Já os jantares começam às 19h30. Nós chegamos depois das 20h e somos recebidos com um Porto tónico de boas-vindas. À segunda noite de funcionamento, está um pouco despida, a sala. Mas outros comensais se juntam com o andar do relógio, ainda que se note que o restaurante está abaixo da sua capacidade. Carlos Teixeira, director de food and beverage, garante que todos os requisitos da Direcção-Geral da Saúde relacionados com a pandemia “estão a ser rigorosamente cumpridos” e acredita que em breve o novo Astória recuperará o brilho de outros tempos.

Sentamo-nos numa mesa junto à janela e enquanto descarregamos a carta que iremos ler através de um código QR servem-nos pão de fermentação natural, manteiga de três leites (ovelha, vaca e cabra) e azeite transmontano, Cartola. Pedimos um copo de vinho, um excelente Quinta de Cidrô Chardonnay 2018, que, por se apresentar tão bom, manteremos até ao fim da refeição.

PÚBLICO -
Foto
Ovos rotos, batata e trufa DR

A carta é alargada, mas não imensa, e, tanto quanto possível, explicam-nos, promove “produtos orgânicos e de origem portuguesa, respeitando a sazonalidade e apoiando fornecedores e agricultores locais”. Nas entradas há dez possibilidades, mas optamos pelos ovos rotos, batata, espargos e trufas (9€) e pelo berbigão com milhos fritos e coentros (7€).

Do carvão, pedimos tentáculo de polvo, que acompanhamos com salada de tomate coração de boi, cebolinho e azeite Cartola (3,50€) e ainda lombo de black angus (32€) com um saborosíssimo puré de batata com trufa (6€). Fechamos o repasto com chave de ouro: um soufflé de mirtilo de Sever do Vouga e gelado de iogurte (8€) e uma surpreendente banana grelhada no carvão, avelãs tostadas e mousse de chocolate (5€) – uma daquelas sobremesas que ficam na memória.

Sugerir correcção