Visionarium sai de Santa Maria da Feira mas quer instalar-se na vizinhança

Ovar é apontado como o potencial candidato a receber o centro de ciência. Os responsáveis pela associação que detém a marca não confirmam.

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PAULA ABREU / PUBLICO

A decisão não é recente, já terá sido tomada em Janeiro, mas só agora chegou ao conhecimento público. O Visionarium vai deixar Santa Maria da Feira, município que, em 1998, o viu nascer. Os responsáveis pela sociedade detentora da marca e dos equipamentos lúdico-científicos não chegaram a acordo com a Feira Viva, empresa municipal que está a gerir o Europarque, na negociação de um espaço para albergar o centro de ciência. A ideia passa, agora, por instalar o equipamento num município vizinho e Ovar aparece como um forte candidato. Ainda assim, os detentores da marca preferem aguardar para emitir qualquer anúncio em relação à futura morada da Visionarium.

A esta altura, o que parece estar mais do que garantido é que o projecto irá ter continuidade. “Temos tudo preparado, desde a parte da conceptual das actividades, as parcerias e o equipamento tecnológico, e a nossa ideia é termos actividades presenciais no início de 2021”, assegura Nuno Moutinho, presidente da Associação Visionarium – entretanto constituída - e director do grupo Escola Global, que adquiriu, juntamente com a empresa Aventuresca, a marca e o espólio do Visionarium.

Depois de 20 anos a receber milhares de visitantes – foram contabilizados mais de um milhão –, o Visionarium acabou por fechar portas em 2018. A empresa que estava a gerir o equipamento entrou em insolvência, tendo o edifício e a marca sido vendidos a diferentes empresas (o imóvel alberga agora uma empresa de tecnologia). Em cima da mesa passou a estar a possibilidade de o centro de ciência passar a ocupar um outro espaço do Europarque. “Em Abril de 2019, chegámos a acordo para instalar o Visionarium na Sala das Cascatas”, refere Nuno Moutinho. O que aconteceu a partir daí? Os novos detentores da marca deram início ao processo de constituição de uma associação sem fins lucrativos para levar o projecto Visionarium por diante, criando uma entidade autónoma que pudesse estabelecer “vários acordos de colaboração”. Em Dezembro de 2019, quando tentaram “verter para o papel o que estava acordado”, foram confrontados com um revés no processo. “Disseram-nos que o Europarque estava com uma grande dinâmica e que a cedência de um espaço tão grande para o Visionarium podia pôr em causa esse crescimento”, refere Nuno Moutinho. Ainda assim, os dirigentes da associação terão mostrado “abertura para reduzir o espaço para metade, mas a câmara reduziu ainda mais e a renda até piorou”.

Nuno Moutinho lamenta que as negociações com a Feira Viva não tenham tido o desfecho pretendido, lembrando que tanto a Escola Global como a Aventuresca têm uma grande ligação ao Europarque – a primeira, através de uma das suas escolas e, a segunda, por meio das actividades lúdico-desportivas que ali promove. “Mas a câmara e a Feira Viva são soberanas e nós aceitamos a sua decisão”, declara.

Funções incompatíveis

Ao PÚBLICO, o presidente da câmara, Emídio Sousa, declarou ter “muita pena” de ver o equipamento abandonar o concelho e espera que, a confirmar-se a sua mudança para um município “próximo”, as crianças de Santa Maria da Feira possam continuar a usufruir dele. Sobre o revés nas negociações, o autarca diz que “houve alguma conversação, até porque a eventual localização do Visionarium dentro do centro de congressos iria perturbar a sua utilização para eventos e espectáculos”, mas desmente que tivessem chegado “a um acordo”.

Emídio Sousa acredita, mesmo, que a convivência entre os dois equipamentos “não iria ser boa nem para um, nem para outro”. “O Europarque é um projecto desenhado para um determinado tipo de eventos e não é por acaso que o Visionarium não ficou dentro do edifício do centro de congressos”, sustenta o presidente da autarquia, dando um exemplo concreto: “temos um congresso a decorrer e como é que vamos colocar as crianças a passar no meio do congresso?”.

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