Carlos Carreiras: “Responder aos concidadãos é uma obrigação liberal e republicana”

Presidente da Câmara de Cascais revela que, se a regra viesse a ser adaptada às autarquias, ele continuaria a responder nas reuniões de câmara todos os quinze dias.

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Carlos Carreiras, presidente da Câmara de Cascais Daniel Rocha

A decisão do PSD e do PS de passar os debates quinzenais com o primeiro-ministro para bimestrais, aprovada indiciariamente em grupo de trabalho e confirmada em votações na comissão parlamentar respectiva, está a gerar controvérsia no interior de ambos os partidos. No Parlamento, Jorge Lacão (PS), Margarida Balseiro Lopes (PSD) e Pedro Rodrigues (PSD) assumiram as suas divergências. Cá fora, Carlos Carreiras (PSD) fez saber que "responder aos concidadãos” é uma “obrigação liberal e republicana”.

“O PS e o meu partido puseram-se de acordo para reduzir as idas do primeiro-ministro ao Parlamento”, começa por lamentar Carlos Carreiras numa publicação na sua página oficial do Facebook. “Debater com quem de nós discorda é trabalho democrático. Responder aos nossos concidadãos, submeter-nos ao escrutínio, não é apenas trabalho político: é uma obrigação liberal e republicana”, acrescenta.

Pouco mais de duas horas antes do debate parlamentar que culminará com votações sobre este assunto, o autarca do PSD lamenta a posição do bloco central e assume que o PS "escusa de vir propor dispensar os presidentes de câmara da obrigação de prestar contas”.

“Continuarei a ser escrutinado nas reuniões de câmara todos os quinze dias. Continuarei a responder à oposição nas Assembleias Municipais todos os meses. E continuarei, todas as semanas, a responder aos meus concidadãos na sessão em directo no Facebook ou diariamente em todas as ruas do concelho”, escreve Carreiras num post intitulado “Menos debate, menos democracia".

E conclui: “Lamento que alguns façam tanta confusão sobre a natureza do regime da liberdade.”

Outro social-democrata que já não tem assento no plenário parlamentar também se mostrou, num artigo de opinião no PÚBLICO, desiludido com a decisão de acabar com os debates quinzenais. “Impressiona, desde logo, a originalidade de ser o maior partido da oposição a sugerir um recuo dessa natureza, para já não falar da falta de oportunidade política, eximindo o primeiro-ministro de responder com regularidade perante os deputados, num momento em que o país vive uma séria crise de saúde pública, a que se associará, inevitavelmente, uma grave crise económica”, defendeu José Matos Correia.

A líder da JSD, Margarida Balseiro Lopes, e o deputado Pedro Rodrigues pediram a Rui Rio o levantamento da disciplina de voto nesta matéria, mas a direcção da bancada rejeitou. Votando contra o diploma, os deputados arriscam-se a ser alvo de inquéritos disciplinares e de sanções.

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