Gonçalo Ramos, o furacão que todos querem ter na equipa

Filho de um ex-avançado do Farense e Salgueiros, tem o golo tatuado nos genes. Jorge Maciel, “adjunto” do Lille, treinou-o nos sub-23 do Benfica e garante que o jovem das “águias” tem o melhor de dois mundos.

Gonçalo Ramos no seu jogo de estreia com a equipa principal do Benfica
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Gonçalo Ramos no seu jogo de estreia com a equipa principal do Benfica LUSA/JOSE COELHO

Apresentou-se na Vila das Aves como um autêntico furacão, bisando na estreia pela equipa principal do Benfica, depois de ter sido lançado por Nélson Veríssimo, aos 85 minutos. Mesmo atendendo ao momento conturbado que a formação avense vive e a um contexto que ajuda a vincar as diferenças entre as duas equipas, marcar dois golos (50% do total) em menos de 10 minutos será sempre motivo de orgulho.

Gonçalo Ramos, de 19 anos, pode não ter sido o primeiro, nem o mais rápido, nem o mais novo a conseguir a proeza, embora tenha precisado apenas de um par de minutos para colocar os “encarnados” a vencerem por 3-0 e de mais seis para fechar as contas, igualando façanha com mais de duas décadas, quando Ramos, o pai — também avançado, de quem herdou os genes —, actuava no Farense de Paco Fortes, antes de mudar-se para o Salgueiros.

Inadvertidamente, Gonçalo recuperou os feitos dos raros benfiquistas que bisaram na estreia, desde Teixeirinha, na década de 40, a Mark Pembridge (1998)... o mais recente, ainda Gonçalo não era nascido.

Durante o confinamento, o jovem avançado definiu-se de uma forma simples em entrevista ao canal do clube, dizendo que “tem golo”.

E essa parece ser uma verdade incontornável, mesmo não tendo sido sempre um homem de área, desempenhando muitas vezes funções de médio, segundo avançado e extremo, o que o obrigou a ter que apurar as rotinas e sentidos de um verdadeiro “matador”.

Jorge Maciel, actualmente treinador-adjunto de Christophe Galtier, no Lille, depois de passagens por Al Ittihad Tripoli, Al Dhafra, Sanat Naft, Belenenses, Arouca, Rio Ave, Nantes e Celta de Vigo, orientou Gonçalo Ramos nos sub-23 do Benfica, e não tem dúvidas sobre a forte relação com o golo que distingue a nova coqueluche das “águias”.

“Na verdade, ele reúne o melhor de dois mundos: tem uma agressividade de jogo que o distingue da maioria, tornando-se muito competitivo, pelo que quando a equipa tem bola, se assume como avançado, e quando defende é um verdadeiro médio”, diz-nos Jorge Maciel, assegurando que é sempre assim no que diz respeito à intensidade e entrega.

“Dá sempre o máximo. Tanto nos jogos como nos treinos... só vê baliza. Aliás, a equipa dele ganha sempre”, recorda, não sendo estranho que todos o queiram do seu lado nas “peladinhas”, acrescentou Maciel.

Para sustentar a opinião que formou durante o relativamente curto período em que trabalhou com Gonçalo, Jorge Maciel recupera os três golos que o atacante do Benfica marcou à República da Irlanda, ao serviço da selecção nacional de sub-19, nas meias-finais do Campeonato da Europa da categoria, em 2019, na Arménia.

“É um avançado chato, com uma intuição e uma mentalidade muito fortes, capaz de fazer golos em qualquer circunstância e a qualquer adversário”, remata o técnico do Lille, confirmando a ideia que os números ajudam a construir.

Na realidade, Gonçalo Ramos soma agora 12 golos em quatro competições distintas com as cores do Benfica, tendo repetido o bis que assinara frente ao Liverpool, em partida dos oitavos-de-final da UEFA Youth League, na goleada por 4-1 que abriu e fechou... ainda antes do confinamento. Gonçalo apontou quatro golos nesta prova, deixando a sua marca nos jogos com o Zenit (na Rússia) e com o RB Leipzig (na Alemanha), durante a fase de grupos. As restantes “vítimas” foram na II Liga — onde somou quatro golos — com mais um bis frente ao... Farense. Na Liga Revelação (sub-23), mais dois golos (decisivos) em dois jogos, frente ao Sporting e ao Sp. Braga, a provar que o segundo mais jovem futebolista do Benfica a conseguir bisar num jogo de estreia possui argumentos para contrariar uma história que para os seus antecessores acabou por não ter uma sequência consonante com a apresentação ao mundo do futebol profissional.

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