“Um sinal de confiança” e um “acordo histórico para a Europa”. As reacções à cimeira europeia

Líderes europeus celebraram acordo alcançado ao fim de quatro longos dias de negociações. O entuasiasmo não foi idêntico, mas todos saudaram o acordo alcançado.

Após quatro longos dias de negociações, os 27 chefes de Estado e Governo da União Europeia (UE) chegaram a acordo sobre um pacote de 1,8 biliões de euros para ajudar os 27 Estados-membros a recuperarem os estragos causados na economia pela pandemia de covid-19. Além disso, os líderes europeus aprovaram a criação de um novo instrumento de recuperação da crise no valor de 750 mil milhões de euros, que será financiado através da emissão de dívida conjunta. O quadro financeiro plurianual da UE para 2021-27 terá um o valor de 1,074 biliões de euros.

As negociações foram difíceis, sobretudo pela resistência do chamado grupo dos “frugais”, composto pelos Países Baixos, Áustria, Suécia e Dinamarca, que se opõem à mutualização da dívida europeia e às transferências directas entre países. Ao quinto dia, contudo, os chefes de Estado e de Governo chegaram a um acordo, que foi apelidado de “histórico” por vários líderes europeus, como Emmanuel Macron, Pedro Sánchez ou Ursula von der Leyen. O primeiro-ministro português, António Costa, celebrou o que considera um “sinal importante de confiança”, enquanto nos “frugais” fala-se em “bom acordo” e “bom resultado”. 

Marcelo Rebelo de Sousa, Presidente da República

“Ao acordar um orçamento de 1,82 mil milhões de euros para os próximos sete anos, a União Europeia dá prova da sua força e da sua dinâmica, da capacidade de decidir democraticamente no diálogo, difícil mas profícuo, entre os seus 27 Estados-membros, no respeito de todos e na procura dos interesses comuns.”

António Costa, primeiro-ministro

“Foi aprovado pela primeira vez, um instrumento específico de recuperação económica, financiado com base em dívida emitida pela União Europeia e que financiará os programas nacionais de recuperação, quer sob a forma de subvenções, quer sob a forma de empréstimos (...)  É um sinal importante de confiança para o esforço de recuperação económica e social e uma enorme responsabilidade para Portugal.”

Charles Michel, presidente do Conselho Europeu

“Conseguimos! Chegámos a um acordo num plano de recuperação e no orçamento europeu para 2021-2027. Este é um forte acordo. E, mais importante, o acordo certo para a Europa neste momento (...) Quando pensamos que alguma coisa é impossível, somos sempre capazes de surpreender e dar um salto em frente.”

Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia

“Hoje, demos um passo histórico, do qual todos nos podemos orgulhar. Mas faltam outros passos importantes. O primeiro e mais importante: obter o apoio do Parlamento Europeu. Ninguém deve tomar a nossa União Europeia como garantida. É a nossa responsabilidade comum.”

David Sassoli, presidente do Parlamento Europeu

“Este é um acordo sem precedentes entre governos para fazer renascer a economia europeia. Devemos agora trabalhar para trabalhar esses instrumentos. Não vamos desistir de um orçamento mais ambicioso e de clareza nos nossos novos recursos. O Parlamento Europeu vai trabalhar para os interesses dos cidadãos europeus.”

Christine Lagarde, presidente do Banco Central Europeu

“Obrigado a todos pela vossa resiliência e acção determinada nos últimos dias. Só podemos combater as consequências económicas da covid-19 trabalhando em conjunto. O acordo de hoje no Conselho Europeu mostra que quando é mais necessário, a UE supera-se e une-se para ajudar os povos da Europa.”

Angela Merkel, chanceler da Alemanha

“Não foi fácil, dadas as posições muito diferentes com que nos confrontámos. Mas penso que no fim, mostrámos a nossa determinação e saímos daqui convencidos que tomámos a decisão correcta quanto ao que devemos fazer. A Europa demonstrou que é capaz de abrir novos caminhos em situações muito especiais. Lançamos aqui as fundações financeiras para a União nos próximos sete anos.”

Emmanuel Macron, Presidente da França

“Com a Alemanha, tornámos possível o plano de recuperação. Agradeço a Angela Merkel, Ursula von der Leyen, Charles Michel e todos os nossos parceiros europeus por partilharem esta ambição. Desde o euro que não víamos tal avanço (...) É uma mudança histórica para a Europa e a zona euro.”

Pedro Sánchez, presidente do Governo de Espanha

“Os grandes acordos têm por trás muitas horas de trabalho. O meu reconhecimento e gratidão aos funcionários públicos que defenderam brilhante e eficazmente os legítimos interesses do nosso país. Sem eles/as, não teria sido possível este acordo histórico para a Europa e para Espanha.”

Michéal Martin, primeiro-ministro da Irlanda

“Um pacote global muito forte e significativo, que deixa a Europa em boa posição para os desafios do futuro.”

Giuseppe Conte, primeiro-ministro da Itália

“O acordo dá a possibilidade e a Itália recomeçar com força. Agora, temos de utilizar estes fundos para investimentos e reformas estruturais. Temos uma verdadeira oportunidade para tornar a Itália mais verde, mais digital, mais inovadora, mais sustentável e inclusiva. Temos oportunidade para investir nas escolas, universidades, investigação e infra-estruturas.”

Mark Rutte, primeiro-ministro dos Países Baixos

“Após longas e intensas negociações, chegámos a um acordo sobre o orçamento a longo prazo da UE e o fundo de recuperação da UE. O resultado é um bom pacote que salvaguarda os interesses holandeses e que tornará a Europa mais forte e mais resiliente.”

Sebastian Kurz, chanceler da Áustria

“Após quatro dias de negociações, conseguimos alcançar um bom resultado para a União Europeia e para a Áustria no quadro financeiro plurianual e no instrumento de recuperação. Obrigado a todos os colegas, especialmente aos frugais!”

Mette Frederiksen, primeira-ministra da Dinamarca

“Cansada e feliz. Os 27 chefes de Estado e de governo da UE chegaram a um acordo após longas negociações em Bruxelas. Estou orgulhosa do que conseguimos: um plano de recuperação ambicioso para a economia europeia responder ao coronavírus, mas de uma forma mais responsável, com menos subsídios directos e maior forco nos empréstimos.”