Crónica de jogo

Sporting marca passo na luta pelo terceiro lugar

Empate sem golos em Alvalade com sabor a triunfo para o Vitória de Setúbal, que passa a depender de si próprio para garantir a manutenção.

João Meira e Nuno Mendes em duelo
Foto
João Meira e Nuno Mendes em duelo LUSA/JOSE SENA GOULAO

Com apenas um golo marcado nas últimas quatro jornadas da Liga, o Sporting insiste em complicar o terceiro lugar do campeonato e o acesso directo à Liga Europa. Na despedida do Estádio de Alvalade da acidentada temporada de 2019-20, os “leões” foram esta terça-feira travados pelo aflito Vitória de Setúbal, num entediante empate sem golos, mas com sabor a triunfo para os visitantes. Os sadinos passam a depender de si próprios para garantirem a manutenção na última ronda da prova, frente ao Belenenses SAD.

Uma jornada que terá mais emoção do que se anteciparia também no topo da tabela classificativa, onde se irão defrontar os quatro primeiros classificados do campeonato. Os “leões” podem estar obrigados a pontuar no Estádio da Luz contra o Benfica ou então esperar que o Sp. Braga não consiga vencer, em casa, o já campeão FC Porto.

Uma incerteza que o Sporting poderia ter evitado, caso tivesse feito algo produtivo com os esmagadores 80% de posse de bola com que encerrou a partida com o Vitória. Mas esta estatística não teve qualquer reflexo na capacidade atacante dos lisboetas, que se deixaram enrolar pela estratégia anunciada dos setubalenses.

Depois de seis derrotas consecutivas e de ter descido à zona de despromoção, o conjunto de Lito Vidigal estava obrigado a pontuar em Alvalade para não depender de terceiros no jogo final. Com isto em mente, preparou o encontro de forma minuciosa e ainda contou com a colaboração do adversário.

Sem velocidade, dinâmica e ainda menos criatividade individual, o Sporting dominou, mas deparou-se com um Vitória fechado e obsessivamente concentrado no seu objectivo. Não perder foi sempre superior à vontade de ganhar – algo que não sucede há 15 encontros -, mas, mesmo assim, os sadinos ainda piscaram o olho aos três pontos nos instantes finais, numa altura em que o anti-jogo já passara a ser a sua bandeira.

Para ver o ataque dos “leões” produzir algo com princípio, meio e fim, com alguma imprevisibilidade, foi preciso esperar 68 minutos, altura em que Vietto e Acuña combinaram, com o último a rematar de fora da área para proporcionar duas defesas difíceis, à palmada, do guarda-redes Makaridze.

Isto numa altura em que a equipa da casa procurava imprimir mais velocidade ao seu jogo ofensivo, mas com a mesma carência de imaginação dos seus protagonistas. Do outro lado o bloco baixo continuava sem ceder à pressão.

Pela primeira vez o Sporting de Rúben Amorim perdeu pontos em casa desde a contratação milionária do técnico português, enquanto os setubalenses festejaram o ponto alcançado como se de uma vitória se tratasse. Quem ficou mais aflito foi o Portimonense, que voltou a cair na zona de despromoção.

O Sporting tem agora poucos dias para encontrar soluções convincentes para esgrimir argumentos com o eterno rival lisboeta. Amorim continua confiante. “O jogo com o Benfica vai ser completamente diferente. Vamos à Luz para vencer”, garantiu na conferência de imprensa, no final da partida.

Até lá, os “leões” terão de fazer aquilo que mais conhecem nos últimos 18 anos. “Vamos sofrer mais uma semana, mas não há problema”, resumiu o treinador, antes de fazer um balanço dos últimos jogos: “Nada de especial, é o segundo jogo consecutivo sem vencer. É a minha primeira vez. Apanhámos uma equipa que defendeu com onze dentro do próprio meio-campo.”

Sugerir correcção