Número de desempregados inscritos no IEFP sobe 36,4% em Junho

No final de Junho, estavam registados nos serviços de emprego do continente e regiões autónomas 406.665 desempregados. Algarve viu desemprego subir 231% face a Junho de 2019. Número de casais desempregados aumentou 20,2%.

Desemprego
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Andreia Carvalho

O número de desempregados inscritos nos centros de emprego aumentou 36,4% em Junho face ao mesmo mês no ano anterior e recuou 0,6% face a Maio deste ano, segundo dados divulgados esta segunda-feira pelo Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP). 

De acordo com o IEFP, no final de Junho, estavam registados nos serviços de emprego do continente e regiões autónomas 406.665 desempregados, número que representa 74,8% de um total de 543.662 pedidos de emprego. Em Junho passado registavam-se 11.934 ofertas de emprego, uma quebra de 38,3% face a Junho de 2019 e um aumento de 4,1% em cadeia.

O total de desempregados registados no país foi superior ao verificado no mesmo mês de 2019 em 36,4% - são mais 108.474 pedidos em Junho último, face a 12 meses antes.

Junho de 2019 foi o segundo mês com menos desempregados inscritos no país desde, pelo menos, 2003, tendo contado com 298.191 desempregados registados no IEFP (o mês com menos desempregados, com 297.290, fora Julho de 2019).

Quanto ao mês anterior, Maio, houve um ligeiro recuo (0,6%), para 406.665 registos. Maio foi, até agora, o mês com maior número de desempregados inscritos em 2020, totalizando 408.934. A última vez que Portugal tinha visto o número de registados acima de 400 mil fora em Fevereiro de 2018, com 404.604 desempregados registados no IEFP.

Junho foi também o primeiro mês em que houve um recuo em cadeia no número de inscritos desde Março, mês em que foi registado oficialmente o primeiro caso de covid-19 em Portugal (2 de Março) e implementada a primeira fase do estado de emergência (19 de Março).

Para o aumento do desemprego registado em Junho passado, face ao mês homólogo de 2019, em variação absoluta, “contribuíram todos os grupos do ficheiro de desempregados, com destaque para as mulheres, os adultos com idades iguais ou superiores a 25 anos, os inscritos há menos de um ano, os que procuravam novo emprego e os que possuem como habilitação escolar o secundário”, explica o IEFP em comunicado.

O maior valor registado no país, desde 2003, foi em Janeiro de 2013, pico da crise financeira, com mais de 740 mil desempregados inscritos.

Aumento de 231% no Algarve

Desagregado por regiões, em Junho passado, e quanto ao período homólogo de 2019, “o aumento mais pronunciado deu-se na região do Algarve (mais 231,8%)” sendo o crescimento generalizado ao resto do país. A única excepção foi a Região Autónoma dos Açores, que registou a única queda homóloga no período em análise, de 1,7%.

Em igual mês, mas face a Maio imediatamente anterior, o desemprego registado diminuiu, por comparação ao mês anterior, na maioria das regiões, com excepção para as regiões de Lisboa e Vale do Tejo (mais 1,6%) e da Região Autónoma da Madeira (mais 3,5%).

“O desemprego aumentou nos três sectores de actividade económica face ao mês homólogo de 2019”, adianta a nota do IEFP publicada esta segunda-feira. Mas “este aumento registou maior expressão no sector ‘serviços’ (mais 47,2%), que, desagregado, evidencia “que as subidas percentuais mais acentuadas, por ordem decrescente, se verificaram nas actividades de: ‘Alojamento, restauração e similares’ (mais 94,4%), ‘Transportes e armazenagem’ (mais 70,4%) e ‘Actividades imobiliárias, administrativas e dos serviços de apoio’ (mais 57,7%)”.

No sector da indústria, destaca-se a subida nos ramos da “Indústria do couro e dos produtos do couro” (mais 61,1%), da “Fabricação de veículos automóveis, componentes e outros equipamentos de transporte"(mais 50,5%) e da “Indústria metalúrgica de base e fabricação de produtos metálicos"(mais 38,9%), explica ainda o IEFP.

Casais desempregados aumentam 20,2%

De acordo com o IEFP, do total de desempregados casados ou em união de facto, 13.220 (8,3%) “têm também registo de que o seu cônjuge está igualmente inscrito como desempregado no Serviço de Emprego”.

Assim, o número de casais em que ambos os cônjuges estão registados como desempregados foi, no final de Junho de 2020, de 6.610, ou seja, mais 20,2% (1.111 casais) que no mesmo mês em 2019 e menos 2,4% (-162 casais) em relação a Maio de 2020.

Os casais nesta situação de duplo desemprego têm direito a uma majoração de 10% do valor da prestação de subsídio de desemprego que se encontrem a receber, quando tenham dependentes a cargo.

O IEFP começou a divulgar informação estatística sobre os casais com ambos os elementos desempregados em Novembro de 2010, altura em que havia registo de 2.862 destas situações.

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