Festival de Cinema de Veneza

Prémio Leão de Ouro carreira este ano é no feminino e vezes dois: Ann Hui e Tilda Swinton

Cineasta de Hong Kong e actriz britânica serão homenageadas pelos seus já longos percursos profissionais, ambos desafiadores. O festival decorre de 2 a 12 de Setembro.

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Director do festival elogiou a personalidade de Tilda Swinton e a versatilidade que lhe permite saltar das grandes produções de Hollywood para o cinema de autor mais radical Reuters/THOMAS PETER

O Festival de Cinema de Veneza só começa a 2 de Setembro mas já se conhecem as galardoadas com o Leão de Ouro carreira — a aclamada cineasta de Hong Kong Ann Hui e a icónica actriz britânica Tilda Swinton, avança a agência de notícias EFE. 

De acordo com o comunicado oficial da organização deste festival que vai já na 77.ª edição (2 a 12 de Setembro) a decisão de homenagear estas duas mulheres pelo seu já longo percurso profissional foi tomada pelo conselho de administração da mostra sob proposta do seu director, Alberto Barbera.

É ele que elogia a linguagem e o estilo visual únicos de Ann Hui, lembrando que é uma das mais dignas representantes da chamada Nova Vaga de Hong Kong, movimento que revolucionou o cinema daquele território nas décadas de 1970 e 80, transformando-o num enérgico centro de criação.

“Ann Hui é um dos realizadores asiáticos mais respeitados, prolíficos e versáteis de todos os tempos”, disse Barbera, referindo-se em seguida mais detalhadamente a uma carreira de quatro décadas que atravessa praticamente todos os géneros. Melodramas, histórias de fantasmas e de família, produções semi-autobiográficas, adaptações de grandes obras literárias, thrillers e filmes de artes marciais cabem no catálogo da cineasta, lembrou ainda o director do festival no já referido comunicado.

“Nos seus filmes Ann Hui sempre demonstrou particular interesse nas vicissitudes sociais contando — com a sensibilidade e a sofisticação de um intelectual — histórias individuais que se entrelaçam com temas sociais importantes, como o dos refugiados, o dos marginalizados e o dos idosos”, concluiu o director do festival, o que nos permite fazer uma leitura também política deste prémio, vendo nele um endosso aos  esforços pró-democracia em Hong Kong

Tilda Swinton, que segundo o diário El País se encontra em Madrid para rodar a curta-metragem A Voz Humana, baseada na obra homónima de Jean Cocteau e dirigida pelo cineasta espanhol Pedro Almodóvar, Alberto Barbera define como “um dos artistas mais originais e poderosos que se estabeleceram no final do século passado”. Chamando a atenção para o trabalho que desenvolveu com realizadores como Luca Guadagnino e Derek Jarman, Barbera destacou o seu imenso talento para dar vida a personagens inclassificáveis, a sua “personalidade incomparável” e a versatilidade que lhe permite saltar das grandes produções de Hollywood para o cinema de autor mais radical.

“Cada uma das personagens que interpreta é um desafio destemido às convenções, sejam elas artísticas ou sociais; o resultado da sua necessidade de se colocar continuamente em risco, sem nunca ficar satisfeita com aquilo que alcança; e o desejo de explorar novas implicações no comportamento e nas emoções humanas”, remata o director do festival.

Tanto Ann Hui como Tilda Swinton já reagiram ao prémio. A cineasta de Hong Kong disse apenas que se sentia “feliz” e “honrada” com a distinção, ao passo que a actriz britânica agradeceu assim: “Ir a Veneza, sobretudo este ano, para celebrar o cinema imortal e a sua sobrevivência diante de todos os desafios que a evolução lhe lança — e a todos nós — será uma verdadeira alegria. ”

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