Ventiladores chineses recebidos no Algarve têm problemas técnicos

Equipamentos estão a ser analisados e aguarda-se o relatório final dos Serviços de Utilização Comum dos Hospitais. Coordenador da resposta à covid-19 no Algarve espera que situação se resolva e garante que não faltam ventiladores na região.

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LUSA/MÁRIO CRUZ

Os 30 ventiladores adquiridos pela Comunidade Intermunicipal do Algarve - AMAL não podem ser já usados pelos hospitais de Faro e Portimão devido a problemas técnicos que ainda estão a ser analisados. Aguarda-se o relatório final dos Serviços de Utilização Comum dos Hospitais (SUCH) para que se possam resolver os problemas detectados.

Os ventiladores fazem parte de um pacote de material que a AMAL, que junta as autarquias algarvias, adquiriu com a mediação do Algarve Biomedical Center (ABC) para apoiar o Centro Hospitalar e Universitário do Algarve (CHUA) no combate à pandemia no Algarve, no valor de cerca de dois milhões de euros, tendo os ventiladores custado 1,3 milhões.

De acordo com o Correio da Manhã, os equipamentos, que chegaram em duas tranches – primeiro 20 ventiladores e depois os restantes dez – apresentam falhas técnicas, impedindo por enquanto a sua utilização. Ao PÚBLICO, o presidente da AMAL, António Pina, disse que se trata de um problema que afecta todos os ventiladores, mas sem saber especificar o que está em causa.

“Aguardamos o relatório final dos SUCH. Os equipamentos passam por uma bateria de testes e num ou dois não terão atingido os parâmetros espectáveis. Os equipamentos foram comprados a uma empresa chinesa e têm certificados”, explicou, acrescentando que os aparelhos funcionam e por isso acredita que o problema poderá ser de fácil resolução. Dá o exemplo dos aparelhos de telemetria que foram também adquiridos neste pacote que também não cumpriam uma determinada especificação e que foi facilmente resolvido.

O presidente do ABC, Nuno Marques, disse ao Correio da Manhã “desconhecer dificuldades” relacionadas com o funcionamento dos aparelhos e adiantou que o CHUA tem as garantias dos ventiladores caso seja necessário.

Em resposta por escrito, o CHUA explicou ao PÚBLICO que “após a recepção do donativo de 30 ventiladores mecânicos invasivos, e cumprindo as normas nacionais no que concerne à verificação de equipamentos adquiridos fora da União Europeia, o Centro Hospitalar Universitário do Algarve enviou os ventiladores recebidos, a título de donativo através da AMAL, para verificação e testagem pela entidade competente (SUCH)”. Acrescenta que aguarda pelo relatório final. “Caso se verifique alguma anomalia com os equipamentos, o relatório será enviado à entidade responsável pelo donativo para que possa articular com o fornecedor”, refere ainda.

O secretário de Estado das Pescas, José Apolinário, que coordena a resposta à covid-19 no Algarve, explicou que “foram sinalizadas algumas inconformidades” e que a expectativa é que “a situação se resolva”. “Estamos disponíveis para colaborar com a AMAL”, afirmou José Apolinário, referindo também não saber pormenores técnicos. Mas assegurou que “na região não existe falta de ventiladores”. “Ainda recentemente foram disponibilizados 30 ventiladores por parte do Ministério da Saúde e a situação [relacionada com a pandemia] no Algarve é estável”, disse José Apolinário.

A ministra da Saúde, Marta Temido, foi questionada acerca deste tema na conferência de imprensa sobre a evolução da covid-19, na tarde desta sexta-feira. “Tanto quanto é do meu conhecimento, os ventiladores não foram comprados pelo SNS, foram uma doação e existem algumas questões que quem fez a doação está a tentar resolver”, disse. 

A responsável fez ainda um balanço dos ventiladores adquiridos durante o período da pandemia, de forma a reforçar a capacidade do Serviço Nacional de Saúde. “Temos já um total de geral de 1743 ventiladores de situação diversas: 946 de compras entregues em Portugal ou na Embaixada portuguesa na China e por isso considerado em território nacional, 522 provenientes de doação, 156 resultantes de empréstimos e ainda alguns ventiladores recuperados.”

Questionada sobre problemas técnicos identificados nestes equipamentos, Marta Temido especificou que dos 946 comprados centralmente pelo ministério, 470 estão a ser alvos de testes pelo SUCH ou em distribuição pelas unidades de saúde. “As demais ordens de compra estão em apreciação por não terem ainda sido testados ou por questões relacionadas com prazos de entrega.”

A ministra referiu que há ainda um conjunto de 140 ventiladores, “já comprados e que ainda não foram disponibilizados”, que estão a ser alvo de “análise mais detalhada” porque “foram encontradas desconformidades”. “Ou são devolvidos se não conseguirmos resolver os problemas ou serão substituídos”, disse.