Aos 100 anos, Tom Moore conseguiu 32 milhões para o NHS e agora vai ser ordenado cavaleiro por Isabel II

A rainha vai receber o veterano da Segunda Guerra numa cerimónia privada, esta sexta-feira, no castelo de Windsor.

Os 100 anos de Tom Moore, cumpridos a 30 de Abril, foram celebrados por todo o Reino Unido
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Os 100 anos de Tom Moore, cumpridos a 30 de Abril, foram celebrados por todo o Reino Unido Reuters/Toby Melville

Começou por ser apenas uma forma de efectuar uns exercícios de recuperação, caminhando em torno do seu quintal — incentivado pela filha, predispôs-se a cumprir cem voltas, numa acção para angariar fundos para o Serviço Nacional de Saúde britânico (NHS, na sigla original): mil libras (1103 euros) eram o objectivo. Mas, a sua história inspirou milhares por todo o país — e não só — e, no dia em que completou 100 anos, a 30 de Abril, o veterano de guerra britânico Tom Moore tinha conseguido a proeza de arrecadar mais de 32 milhões de libras (em torno de 35 milhões de euros ao câmbio actual).

Os elogios chegaram-lhe um pouco de toda a parte e o dia do seu aniversário foi abrilhantado com uma prenda especial: um espectáculo da Força Aérea Real e o título honorário de coronel por serviços prestados à comunidade.​ Também várias personalidades britânicas endereçaram os parabéns, nomeadamente o primeiro-ministro Boris Jonhson e a rainha Isabel II.

Paralelamente, foi criada uma petição a defender que o “espantoso herói (…) merece ser galardoado com o título de cavaleiro” — e o pedido acabou por ser levado em conta pelo Palácio de Buckingham. Tanto que, ao contrário de várias outras ordenações, adiadas devido ao contexto da pandemia, a investidura de​ Tom Moore como cavaleiro acontece esta sexta-feira, 17 de Julho, numa cerimónia privada que se realizará no castelo de Windsor, onde a monarca tem passado o tempo desde o início do confinamento, e na qual estarão presentes os familiares do antigo capitão.

Uma inspiração... e um livro

Além de os seus actos terem emocionado o país, a saga do capitão Tom Moore acabaria por inspirar um menino de cinco anos, de Kings Hill, no condado inglês de Kent, no Sudeste do país. Tony Hudgell, com ambos os membros inferiores amputados, do joelho para baixo, decidiu seguir o exemplo do veterano e, munido das suas próteses, caminhar para angariar dinheiro para o hospital que lhe salvou a vida ainda em recém-nascido. O menino decidiu caminhar todos os dias de Junho, até perfazer dez quilómetros, com o objectivo de angariar 500 libras (551 euros), mas acabou o mês com mais de 1,2 milhões (1,4 milhões de euros).

Tom Moore nasceu a 30 de Abril de 1920, tendo cumprido missões durante a Segunda Guerra Mundial na Índia, Birmânia e Indonésia. Após o conflito, deixou o Exército, tendo trabalhado em empresas de materiais de construção. Foi casado durante 38 anos com Pamela, que morreu em 2006, tendo da união nascido duas filhas, Lucy e Hannah — foi esta última que convenceu o pai às caminhadas solidárias e é com quem vive, juntamente com o genro e dois netos. A história da vida de Tom Moore deverá chegar aos escaparates em Setembro: Tomorrow Will Will Be A Good Day é apresentado como uma autobiografia e chega com o selo da Penguin Books, estando ainda prevista uma versão para crianças.

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