Sampaio: “António Franco foi um diplomata de primeiríssima água”

“Defensor da liberdade a que cada um assiste de traçar a sua vida e de a saborear por inteiro”, descreve o antigo Presidente da República.

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António Franco, numa cerimónia em São Paulo, Brasil, em 2003 Mercia Gonçalves/Lusa

Numa breve evocação ao seu antigo chefe da Casa Civil durante o seu primeiro mandato em Belém, e amigo pessoal, o ex-presidente da República, Jorge Sampaio, refere que “António Franco foi um diplomata de primeiríssima água”.

“Não me é fácil evocar o António Franco neste momento em que ficamos como à beira do precipício, nesse limiar em que subitamente a vida estanca”, começa Jorge Sampaio, referindo-se à morte, esta quarta-feira, do seu antigo colaborador.

O ex-Presidente destaca o notável servidor do Estado, dotado de um grande sentido de humor, que “tinha um talento raro e subtil para lidar com situações delicadas e um diplomata de primeiríssima água”.

Depois, num registo mais pessoal, Jorge Sampaio salienta os princípios fortes que nortearam toda a vida de António Franco. “Um acérrimo defensor da liberdade que a cada um assiste de traçar a sua vida e de a saborear por inteiro”, escreve Sampaio.

“[Foi] um embaixador distinto que exerceu importantes funções ao longo da sua carreira”, escreveu esta quinta-feira no site da Presidência da República, Marcelo Rebelo de Sousa. “O Presidente da República apresentou sentidos pêsames à embaixadora Ana Gomes [viúva] e restante família”, refere Marcelo. 

Também esta quinta-feira, o presidente da Assembleia da República, Ferro Rodrigues, mostrou “tristeza e consternação” pela morte do diplomata. 

“Ao longo da sua brilhante carreira serviu o seu país sempre com distinção e honrando o nome de Portugal”, assinala Ferro. Neste ponto, assinala a sua contribuição para a consolidação do processo de paz em Angola, distinguindo, assim, a capacidade de António Franco para lidar com situações difíceis e delicadas, já assinalada pelo antigo Presidente da República, Jorge Sampaio.

“No Palácio de Belém, onde trabalhei com ele, teve um campo constante e vasto para exercer os seus dons, a elegância, a paciência e lealdade, a tolerância, a generosidade, a astúcia e a calma”, recordou, ao PÚBLICO, José Manuel dos Santos, assessor de Sampaio.

“Quando pôs voluntariamente fim à sua carreira de embaixador, numa idade e numa posição em que os seus colegas habitualmente se preparam para o assalto implacável aos melhores postos, disse tudo sobre a sua liberdade”, conclui.

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