Gonçalo Byrne diz que é urgente inverter desvalorização da arquitectura em Portugal

Gonçalo Byrne, que tomou posse esta quinta-feira, sucede ao arquitecto José Manuel Pedreirinho na presidência da Ordem dos Arquitectos.

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Gonçalo Byrne vai dirigir a Ordem dos Arquitectos durante o triénio 2020-2022 Nuno Ferreira Santos

O arquitecto Gonçalo Byrne, que tomou posse esta quinta-feira como presidente da Ordem dos Arquitectos (OA), em Lisboa, afirmou que “é urgente evidenciar o papel dos arquitectos, e inverter o cenário de desvalorização da arquitectura” em Portugal.

O discurso do arquitecto, vencedor das eleições para a direcção da OA no triénio 2020-2022 — encabeçando a lista C, uma das quatro candidatas —, focou-se no papel da arquitectura e dos arquitectos para o desenvolvimento sustentável do país. “A qualidade da arquitectura tem um impacto fundamental no desenvolvimento do país”, salientou o novo presidente da ordem, definindo ainda o arquitecto como “um solucionador de problemas”.

Nesse papel, “pode oferecer soluções para os problemas ambientais, [para os quais] todos seremos chamados a contribuir [com respostas] no quadro das medidas estratégicas do pacto ecológico europeu”. Na área da sustentabilidade, Gonçalo Byrne criticou o “economicismo dos investidores públicos e privados, que não pensam a longo prazo” e “procuram sobretudo reduzir custos”. “A construção é responsável pela emissão de 40% de CO2, uma situação que os arquitectos podem ajudar a reverter com soluções criativas e de qualidade”, defendeu.

Apontando que a tendência de adjudicar obras ao preço mais baixo não afecta apenas a qualidade de vida dos habitantes e a sustentabilidade, mas também os salários dos arquitectos, Gonçalo Byrne recordou que uma das consequências desta situação tem sido a “diáspora forçada” de muitos jovens arquitectos. “A crise económica espalhou pelo mundo a qualidade da arquitectura portuguesa, que tem sido reconhecida e premiada”, salientou, acrescentando que vai ser necessário defender junto do Governo “repor a dignidade da profissão”, nos próximos anos.

Prevendo “grandes desafios” para o futuro, o novo presidente da OA apelou à união entre todos os arquitectos, comentando que “não há vencedores nem vencidos”, nas eleições que deram origem ao seu mandato.

Numa entrevista à Lusa, após o resultado das eleições, a 26 de Junho, Gonçalo Byrne tinha afirmado que a actual pandemia covid-19 “veio acelerar as mudanças já em curso em Portugal”, ao nível da construção do espaço público e redução da pegada ecológica.

Sobre as prioridades do seu mandato, Byrne destacou, na altura, o combate à precariedade laboral dos arquitectos, sublinhando que a sua candidatura “foi e vai ser sempre inclusiva, de portas abertas para o diálogo com todos os arquitectos, as outras ordens profissionais, os governantes e a sociedade”.

Quase sete mil arquitectos dos cerca de 25 mil no país votaram nas eleições para os órgãos sociais da OA, nacionais e regionais, para o triénio 2020-2022.

 Pela primeira vez, segundo a OA, foram eleitos sete órgãos regionais (Norte, Centro, Lisboa e Vale do Tejo, Alentejo, Algarve e regiões autónomas da Madeira e dos Açores), que acompanham as diferentes regiões do país, e a nomenclatura das unidades territoriais para fins estatísticos.

De um total de 21 elementos, que constituem a assembleia de delegados, o órgão deliberativo da Ordem, a lista C, com o lema “Isto só lá vai com todos”, de Gonçalo Byrne, elegeu nove delegados, seguida pela lista B, “A Ordem és tu”, que elegeu seis delegados. A lista A, “Uma Ordem Presente”, elegeu cinco delegados e, a lista D, “Arquitetura Perto”, elegeu um delegado.

Gonçalo Byrne formou-se na Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa e é doutor “Honoris Causa” pela Faculdade de Arquitectura da Universidade de Lisboa e pela Universidade de Alghero, em Itália, segundo a informação disponível na página Gonçalo Byrne Arquitectos na Internet. Foi director do Jornal Arquitetos, entre 1985 e 1987, e fundou o estúdio Gonçalo Byrne Arquitectos, em 1991. Ensinou igualmente em várias universidades internacionais, como, por exemplo, Harvard, nos Estados Unidos, Milão e Veneza, ambas em Itália, e Pamplona, em Espanha.

Gonçalo Byrne sucede ao arquitecto José Manuel Pedreirinho, na presidência da OA.

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