Marcelo defende discriminação positiva para sector do turismo e adia decisão sobre Belém

Para Marcelo Rebelo de Sousa está a falhar a percepção que os países têm da sitação portuguesa quanto à pandemia. O Presidente adiou para Dezembro decisão sobre recandidatura à Presidência da República.

Marcelo Rebelo de Sousa jantou com autarcas algarvios
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Marcelo Rebelo de Sousa jantou com autarcas algarvios LUSA/Jose Sena Goulao

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, defendeu na segunda-feira à noite “uma discriminação positiva” para o sector do turismo, considerando que o Algarve é uma das regiões onde essa discriminação é muito importante. Também voltou a adiar, desta vez para Dezembro, a decisão sobre se avança ou não para Belém, prometendo, no caso de avançar, “uma campanha pequena como há cinco anos”.

“O turismo em geral, a restauração, hotelaria, os sectores ligados ao turismo, merecem uma discriminação positiva e o Algarve é uma das áreas onde isso é muito importante”, disse aos jornalistas Marcelo Rebelo de Sousa antes de um jantar com autarcas em Lagos, distrito de Faro, no Algarve. Marcelo Rebelo de Sousa reuniu-se num jantar de trabalho com os presidentes de câmara do Algarve para analisar a situação económica motivada pela pandemia da covid-19 um dos maiores destinos turísticos do país.

O chefe de Estado indicou que, segundo informações que obteve do Governo, este “está a ponderar olhar seriamente para a situação do turismo em termos de emprego no futuro, além daquilo que já foi anunciado, e está muito atento à situação do Algarve”.

Marcelo Rebelo de Sousa disse esperar que no dia 20, quando a Irlanda divulgar a sua lista de países em risco, “possa traduzir-se numa notícia diferente daquela que se podia temer por influência ou proximidade britânica”.

Questionado sobre a decisão da Bélgica de incluir algumas freguesias da região de Lisboa, e também o Alentejo e o Algarve, na sua lista de locais com risco de contágio pelo novo coronavírus para os seus naturais, o Presidente da República considerou que “é preciso continuar a fazer o trabalho” [diplomático]. “Tratamos de um país e depois trata-se de um outro. Ainda hoje o senhor primeiro-ministro esteve nos Países Baixos e aí tratou da posição holandesa no sentido de uma evolução favorável. Isto tem de ser feito dia a dia, semana a semana, para convencer as pessoas daquilo que é a realidade”, sublinhou.

Marcelo Rebelo de Sousa acrescentou que as pessoas que estão longe não têm noção da realidade portuguesa, revelando que alguns dos seus amigos que estão longe pensam que “está praticamente cercado em Lisboa, sem fazer uma vida normal”.

“Daí ser importante o trabalho dia a dia para convencer as pessoas daquilo que é a realidade”, reforçou.

Na opinião do Presidente da República, o que está a falhar “é a percepção por parte desses países, que à distância estão preocupados com as suas situações e também com o Conselho Europeu que vem aí, e, portanto, não conhecem a realidade portuguesa”.

“É preciso explicar bem essa realidade. É isso que tem sido feito pelo Governo e o Presidente da República, na medida possível, também tem apoiado”, destacou.

Marcelo Rebelo de Sousa disse ainda que também queria dar aos jornalistas notícias que são boas: “Ao passar pelo Aeroporto de Faro, ao contrário do que foi dito há uma semana, no sábado passado houve um número apreciado de movimentos, cerca de 120 partidas e chegadas - uma coisa que não havia há tempos imemoriais -, traduzindo-se numa boa notícia, mesmo sabendo-se que os voos que chegavam vinham parcialmente cheios, nomeadamente os de origem em Inglaterra e na Irlanda”.

“Mesmo assim, a percentagem, no caso britânico, era de 30% de ocupação do avião, o que quer dizer que há pessoas que desafiam aquilo que é um juízo que não corresponde à realidade nem a um bom senso, porque conhecem Portugal”, adiantou.

Marcelo disse ainda esperar que a retoma “seja um processo ascendente, difícil, lento e complicado, daí estarem todos a puxar no mesmo sentido”, e anunciou que se deslocará semanalmente ao Algarve, “até nos meses de Agosto e de Setembro, no sentido de dar o seu contributo para o desenvolvimento da região”.

Decisão adiada

Na sequência deste encontro, o Presidente disse ainda que só em Dezembro avançará com novidades relativamente a uma eventual candidatura presidencial e garantiu que, se avançar, será uma campanha curta. “Já temos problemas suficientes para nos preocuparmos com aquilo que não são problemas. E não é um problema o dizer uma evidência: se eu vier a ser candidato - e só saberão lá para Dezembro, porque eu também não penso nisso -, obviamente vou fazer a campanha pequena que fiz há cinco anos”, afirmou Marcelo Rebelo de Sousa.

Ao Expresso, o Presidente da República clarificou que olha para a próxima campanha como “uma coisa curta, uma semana, 10 dias” com cinco eventos públicos e sem necessidade de director de campanha. “Se eu for candidato, é seguro que não haverá director de campanha”, acrescentou, desmentindo uma notícia avançada pela revista Visão de que o Presidente gostaria de ter Salvador Malheiro, autarca do PSD em Ovar, a dirigir a recandidatura.

“Mergulhado num período pós-pandémico, o país precisa de tudo menos de campanhas longas e sofisticadas”, justificou o Presidente. “Nem sabemos se estaremos com um segundo surto do vírus mas, num caso ou noutro, temos de continuar a ter medidas de grande precaução e a campanha serão 10 dias com um máximo de cinco eventos públicos”.

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