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Catalunha: Roger Torrent ataca Madrid por suspeita de escuta do telemóvel

Presidente do parlamento regional diz que se confirma que no Estado espanhol se pratica “espionagem contra dissidentes políticos” e pondera acções legais.

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Reuters/Albert Gea

O Presidente do parlamento regional da região espanhola da Catalunha, o independentista Roger Torrent, disse nesta terça-feira que a suspeita de escuta do seu telemóvel é “impróprio de um Estado democrático” e anunciou que vai avançar com acções legais.

De acordo com uma investigação dos jornais El País (Espanha) e The Guardian (Reino Unido), o telemóvel de Roger Torrent foi atacado em 2019 pelo Pegasus, um programa de espionagem desenvolvido pela empresa israelita NSO que só pode ser adquirido por governos e forças de segurança, para combater o crime e o terrorismo.

O presidente do parlamento catalão exigiu ao Governo espanhol que “investigasse e se apurassem responsabilidades”, numa declaração institucional feita a partir do seu gabinete.

Torrent considerou ainda que este assunto é “muito sério” e que serve para confirmar que no Estado espanhol se pratica “espionagem contra dissidentes políticos”.

Uma tentativa para organizar um referendo sobre a independência da região, em 2017, foi considerada ilegal pela Justiça espanhola e os principais responsáveis pela iniciativa foram julgados em Madrid a penas de prisão que ainda estão a cumprir.

Um dos responsáveis do movimento independentista, Carles Puigdemont, está refugiado na Bélgica, onde conseguiu ser eleito para o Parlamento Europeu. 

De acordo com a investigação, um instituto de cibersegurança do Canadá que investigou falhas na aplicação digital WhatsApp descobriu que o telefone móvel de Roger Torrent foi espiado.

El Pais e o The Guardian indicam igualmente que “uma centena de personalidades” da sociedade civil de todo o mundo foram igualmente alvo do “mesmo ataque”. 

A intrusão no telefone do dirigente independentista catalão aconteceu na sequência de uma falha de segurança na aplicação WhatsApp e que permitiu à NSO - entre Abril e Maio de 2019 - introduzir um programa de vigilância em pelo menos 1400 terminais em todo o mundo. 

A empresa WhatsApp facilitou aos investigadores canadianos do grupo Citizen Lab os números que “foram assaltados” pelo programa espião desenvolvido em Israel, entre os quais de encontrava o número de Torrent.

O grupo Citizen Lab foi o primeiro organismo a denunciar a existência do programa Pegasus da NSO.

O El Pais e o The Guardian dizem que tiveram acesso a um documento emitido pelo Citizen Lab que “acredita” no acto de espionagem ao telefone que pertence a Roger Torrent. 

O programa Pegasus, permite escutar conversas, ler mensagens, aceder ao disco duro e fazer capturas de ecrã assim como aceder ao histórico de navegação de portais de Internet e activar o controlo remoto da câmara e do microfone dos dispositivos.

“O governo (espanhol) não tem conhecimento de que o presidente do parlamento da Catalunha, Roger Torrent, tenha sido alvo de hackers (piratas informáticos)” disse um porta-voz do executivo de Madrid aos dois jornais frisando que a intervenção às comunicações só é possível através de uma ordem judicial.

A investigação dos dois jornais refere que um porta-voz dos serviços de informações do Estado espanhol (CNI) “actua sempre em plena submissão ao ordenamento jurídico e com absoluto respeito pela legalidade vigente”.

O mesmo porta-voz recordou que as acções do CNI estão sob a supervisão de um magistrado do Tribunal Supremo. 

El Pais e o The Guardian escrevem ainda que tentaram sem êxito obter uma resposta da Guardia Civil, Polícia Nacional e do Ministério do Interior.

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