Bispo de Beja acusou a maioria dos católicos alentejanos de se comportar como pagãos

O comportamento da comunidade católica do Baixo Alentejo merece uma apreciação negativa do responsável religioso, que diz querer libertar os cristãos da corrupção e da sede do lucro.

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António Carrapato

Na homília proferida no último Domingo durante a celebração que assinalou os 250 anos da restauração da diocese local, o bispo de Beja, D. João Marcos, visou de uma forma invulgarmente dura a “realidade presente” da comunidade católica dos “campos do Baixo Alentejo, da margem esquerda do Guadiana e do Alentejo Litoral”. Da análise que fez ao comportamento de “muitos milhares de pessoas baptizadas na igreja católica” subtraiu uma conclusão: “a grande maioria não escuta a palavra de Deus”. Por outras palavras: “são católicos da religião, mas não da fé. Vivem como pagãos” e representam uma “maioria espiritual surda” que diz estar “condenada a uma vida superficial, centrada em si mesma e vivendo para si própria.”

Para caracterizar o comportamento da “maioria dos católicos” da região, recorreu à parábola do semeador: “Que espécie de terrenos temos nós hoje? A terra batida do caminho. A terra pedregosa. A terra onde crescem espinhos e cardos ou finalmente a terra boa”, questionou os que o ouviam na catedral de Beja e via online. D. João Marcos concluiu que se estava perante uma terra com espinhos e declarou: “penso que muitos de vós que vindes à missa na prática diária viveis como não cristãos”.  

O responsável católico, que é bispo de Beja desde 2016, afirmou que “muitos são católicos de religião, mas não de fé”, definição que lhe suscitou uma acusação: “Há uma divisão profunda entre as orações que dizeis e as obras que praticais. No fundo, sois idólatras”, observou D. João Marcos, apelando para a urgência de transformar “terrenos improdutivos em terra fértil” para produzir “uma nova seara” que “liberte” os cristãos “da corrupção e da sede do lucro que os escraviza”.

Antes da homília do bispo de Beja, uma paroquiana leu uma mensagem alusiva “ao pecado do homem que faz com que toda a criação, de que o homem é a cabeça, participa num estado de escravatura a que ele próprio se reduziu.”

A diocese alentejana teve uma primeira cátedra antes da nacionalidade portuguesa (Pax Iulia), a partir do ano 531, sendo considerado como seu primeiro bispo histórico Santo Apríngio num conturbado período da história visigótica. Apríngio, enquanto bispo da Ecclesia Pacensis,persiste em ser uma figura desconhecida, sobretudo porque nas fontes históricas escasseia a informação biográfica.   

Com a invasão muçulmana da Península Ibérica, o bispado de Beja desapareceria em 754 e foi suprimido durante mais de mil anos. Após a reconquista cristã, a diocese pacense não foi restaurada mas integrada em Évora.  

A criação da diocese de Beja por desmembramento da arquidiocese de Évora só viria a acontecer já no século XVIII, com a reorganização das dioceses portuguesas promovida por D. José I, tendo sido erigida canonicamente em 10 de Julho de 1770 pelo Papa Clemente XIV, por meio da Bula Agrum Universalis Ecclesiae

Mesmo assim ainda se seguiu um conturbado e longo período de indefinição até que a diocese de Beja fosse de facto restaurada já na segunda década do século XX, pelo bispo D. José do Patrocínio Dias.

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