Uma “casinfância” em Esposende: é Herberto Helder a inspirar a arquitectura

Há uma casa de férias em Esposende inspirada nos versos de Herberto Helder. O arquitecto Hugo Barros confessa ao P3 que este foi um projecto "peculiar" que teve como ponto central a palavra "casinfância".

Tiago Casanova
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"Era uma casa — como direi? — absoluta. / Eu jogo, eu juro. / Era uma casinfância." Assim escreveu Herberto Helder, no poema que serviu de inspiração ao projecto Casa de Férias, desenhado pelo Atelier da Costa, da Póvoa de Varzim. O texto, conta o arquitecto Hugo Barros, surgiu "de forma lúdica, não operativa, no projecto".

"O pedido era peculiar porque continha uma certa consciência da efemeridade dos edifícios", explica. "Havia uma criança nova na família e a casa de férias tenta que a infância tenha um espaço." O poema de Herberto Helder assentou que nem uma luva e serviu como "intermediário para a imaginação da obra". "A palavra 'casinfância' foi um termo muito marcante porque casa e infância são dois conceitos tão próximos. A poesia funcionou como um espelho para aquilo que estávamos a fazer", assume ao P3.

Com esta noção de uma casa a curto prazo, e não de "uma casa que durasse para sempre", o projecto em Esposende rapidamente se tornou "peculiar". "Do ponto de vista dos materiais, foi muito pragmático. Havia a intenção de construir muito rapidamente", refere o arquitecto, que acrescenta ainda que a obra demorou cerca de nove meses até estar concluída.

A utilização do betão para o embasamento da casa encurtou logo o tempo da construção. Depois disso, em cima do betão, foi criado "uma espécie de volume em madeira, que espreita sobre a rua"  isto porque, "apesar de ser uma casa de férias, não havia a intenção de se fechar em si mesma". "É uma casa para viver a comunidade."  

Texto editado por Amanda Ribeiro

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