Salpoente: a comida com sabor à ria de Aveiro agora também vai a casa dos clientes

Duarte Eira mantém-se fiel aos produtos da região mas lançou-se numa nova aventura: um menu para o serviço de take away e entregas. O espaço do restaurante também foi reformulado e há uma nova carta.

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Nos números 82 e 83 do Canal de São Roque, em Aveiro, o encerramento temporário motivado pela pandemia foi aproveitado para reformular espaços, substituir o mobiliário e introduzir novos elementos decorativos. O restaurante Salpoente reabriu com uma aparência renovada, sem abdicar da elegância que lhe é característica. Também aposta noutras novidades, entre as quais está um novo serviço para take away e delivery (designado Executive Express). E também tem, desde o passado dia 8, uma nova carta, na qual o chef Duarte Eira reinventa a sua aposta nos produtos da região.

As ostras, a salicórnia, o bacalhau e a carne marinhoa continuam a ter um estatuto privilegiado no restaurante que está intimamente ligado à ria de Aveiro. Instalado de frente para as suas águas, em dois antigos armazéns de sal, o Salpoente tem vindo a honrar o meio onde está inserido.

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Começou por assumir uma especialização nos pratos de bacalhau, mas há já vários anos que optou por alargar o leque de ingredientes base: desde os bivalves às enguias da ria, passando pelo pão de Vale de Ílhavo ou pelas abóboras de Vagos, será difícil encontrar um produto da região que Duarte Eira, transmontano de nascença, ainda não tenha trabalhado. Sem abdicar do bacalhau, em especial dos bestsellers da casa, o bacalhau contemporâneo e o bacalhau à Brás, que nunca podem sair da carta.  

Das ostras aos ovos-moles de Aveiro

No novo menu de degustação, que a Fugas já teve a oportunidade de experimentar, as honras de abertura cabem à proposta de “ostra, manga, lima e amêndoa”. Uma ostra glaceada, com lima, salada de manga, cebolinho e malagueta, espuma de amêndoa e amêndoa tostada, que, no dia em que por lá passámos, harmonizou com Casa Américo Branco Encruzado. A jornada prossegue com um creme de bacalhau (com “bolacha” de algas, salsa e azeitona) – no nosso caso, combinado com um Colinas Chardonnay 2017 – e o “bacalhau e salicórnia” (lascas de bacalhau confitado, arroz de salicórnia e berbigão, pó de algas) – harmonizado com Marquês Marialva Grande Reserva Branco Arinto 2015.

O prato de carne voltou a eleger a raça bovina tradicional daquela região, com a proposta de um “nispo de Marinhoa” (com puré de cenoura assada, legume da época e jus de carne), combinado com um Vadio 2015. Para terminar, uma “viagem pela doçaria tradicional”, na qual os ovos-moles aparecem representados sob a forma de gelado – a sobremesa foi harmonizada com um vinho do Porto Noval 10 Anos.

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A cozinha do Sapoente servida na casa dos clientes

Na carta do serviço Executive Express, lançado logo no início de Junho, aquando da reabertura, optou-se por apostar em pratos mais simplificados, ainda que com um toque de chef. Duarte Eira confessa ter sentido alguma estranheza, no início, mas não tardou a aplicar uma boa dose de criatividade em pratos aparentemente tão comuns como a francesinha ou o hambúrguer. “As minhas referências, ao nível das francesinhas, são a Taberna Belga, em Braga, e o Cardoso, em Vila Real, e procurei inspirar-me mais neles”, conta, destacando, também, o facto de os hambúrgueres serem “feitas com carne maturada”. Da carta constam ainda pratos como o bacalhau à Brás ou o naco da vazia, para além de sopas, saladas e sobremesas. O serviço está a ser especialmente procurado por empresas, mas também começa a conquistar espaço entre os clientes particulares.

Aqueles que não abdicam de continuar a usufruir de todas as experiências que o Salpoente tem para oferecer irão encontrar agora um restaurante com cinco espaços diferenciados, com a perspectiva de vir a ser criado um sexto, num espaço de jardim - as novas regras de segurança e de distanciamento, no âmbito do combate à covid-19, levaram a que a capacidade total do restaurante (100 lugares) fosse reduzida para 60 lugares.

À semelhança do que já vinha sendo hábito, a arte continua a encontrar por ali sítio para ser exposta – neste momento, estão a ser apresentados vários trabalhos de pintura da artista Teresa Carneiro, pela Galeria Nuno Sacramento –, assim como algumas peças da Vista Alegre. Fruto da parceria que mantém com a fábrica de porcelanas de Ílhavo, o restaurante assegurou a criação de um serviço exclusivo para os seus pratos.

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