Escavações em santuário rupestre em Valpaços revelam novos dados da ocupação romana

Aquele monumento, classificado como Imóvel de Interesse Público desde 1984, tem sido alvo de referências por parte de investigadores nas últimas décadas.

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Raquel Esperança

As escavações arqueológicas no Santuário Rupestre de Argeriz, em Valpaços, permitiram identificar uma cronologia de ocupação datável do império romano e recuperar algum material daquele período, adiantou esta quinta-feira à Lusa o vereador daquela autarquia.

“Durante os trabalhos, identificaram uma cronologia de ocupação, datável do período romano, e algum material desse período”, explicou o vereador da Câmara de Valpaços, Jorge Mata Pires.

Este projecto arqueológico do concelho de Valpaços, no distrito de Vila Real, está integrado numa investigação plurianual que tem como objectivo principal a identificação do património arqueológico naquela região, para acrescentar novos dados e encontrar novos materiais, sublinhou.

A iniciativa da autarquia tem a direcção científica dos arqueólogos Pedro Abrunhosa Pereira e Maria de Fátima Machado.

“Neste momento os arqueólogos encontram-se a realizar os procedimentos de pós-escavação e haverá novidades para breve”, destacou.

Jorge Pires explicou que as primeiras referências escritas daquele santuário rupestre estão registadas em memórias paroquiais de 1758, destacando também o trabalho de investigação de Adérito Medeiros Freitas.

Aquele monumento, classificado como Imóvel de Interesse Público desde 1984, tem sido alvo de referências por parte de investigadores nas últimas décadas.

“Mas as intervenções eram tímidas no território, muitas vezes este santuário era comparado com o Santuário de Panóias, em Constantim, no concelho de Vila Real, e que é possível avistar o mesmo desde Argeriz”, sublinhou.

O vereador da Câmara de Valpaços explicou ainda que os arqueólogos dizem ser possível uma ligação entre os dois monumentos.

O Santuário Rupestre de Argeriz, localmente conhecido também como “Pias dos Mouros”, encontra-se relativamente isolado numa plataforma granítica situada num declive suave sobranceiro a um afluente do ribeiro de Alfonge, segundo explica a página da Direcção-Geral do Património Cultural.

Após terminarem o trabalho na freguesia de Argeriz, os arqueólogos vão arrancaram com escavações no castro de Santa Valha, em outro ponto do concelho.

“Vão decorrer junto à zona dos lagares escavados na rocha, que se julga ser também de ocupação romana, pois há fortes indícios”, acrescentou.

A segunda escavação vai decorrer entre as freguesias de Santa Valha e Fornos do Pinhal, que é “a melhor região para a produção de vinho” e um local “conhecido e identificado com um maior número de lagares escavados na rocha, a nível da Península Ibérica e até do mundo, com uma centena e meia de lagares”.

O investigador Adérito Medeiros Freitas identificou, neste município, mais de uma centena destes lagares escavados em maciços graníticos, um trabalho de vários anos que impulsionou a publicação de três livros sobre o tema.

Os lagares escavados na rocha estão entre os vestígios mais antigos associados ao cultivo da vinha no Douro e em Trás-os-Montes, e há investigadores que acreditam que, neste território, a produção de vinho pode ser remontar à época pré-histórica.

Este trabalho arqueológico promovido pela autarquia tem como o objectivo criar uma “protecção para aquele tipo de património, que é património frágil e sensível”.

Mas também para “permitir novas descobertas desse mesmo património, do público em geral e sobretudo também, porque são intervenientes, as populações locais”.

“Queremos compreender melhor como se desenrolou a ocupação humana em dois sítios emblemáticos do concelho”, destacou Jorge Mata Pires.

A autarquia de Valpaços está, assim, a actualizar a Carta Arqueológica do concelho, com o conhecimento histórico-arqueológico sobre o concelho, para o melhor proteger e divulgar.

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