Medina quer transformar alojamentos Airbnb em casas para profissionais de serviços essenciais

Num artigo de opinião para o jornal britânico The Independent, Fernando Medina detalha os planos de Lisboa para um futuro com menos turistas.

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Medina reconhece que a estratégia é “ousada” Miguel Manso

Fernando Medina quer que a cidade portuguesa seja vista como um exemplo do potencial de transformar antigos alojamentos para turistas em casas para trabalhadores de serviços essenciais, com rendas mais acessíveis.

“Como muitas outras cidades, estamos a reavaliar as nossas prioridades pós-pandemia”, começou por escrever o presidente da Câmara de Lisboa num artigo de opinião publicado este sábado no jornal britânico The Independent, em que fala sobre o programa português Renda Segura e o futuro da cidade com menos turistas.

“Nos últimos anos, Lisboa tem beneficiado enormemente dos milhões de turistas que preenchem as ruas de calçada —”, reconhece Medina. “—mas pagámos um preço social.”

Com mais de quatro milhões de visitantes por ano, os 500 mil residentes de Lisboa estavam em risco de serem “esmagados pelo turismo de massa”. O aumento de “alugueres temporários do tipo Airbnb” e o aumento de rendas associado, levou muitos trabalhadores de serviços essenciais a sair do centro de Lisboa, com residentes idosos ameaçados de despejo.

Medina defende que as mudanças causadas pela chegada da pandemia de covid-19 a Portugal são a oportunidade para voltar a “colocar os trabalhadores essenciais, que guiaram Lisboa ao longo da crise de covid-19, no topo”.

O mês de Maio confirmou a paralisação do mercado de Alojamento Local (AL) no país, com as taxas médias de ocupação a cair para 5% em Lisboa e 3% no Porto.

“É possível dar prioridades a alojamentos acessíveis a profissionais de hospitais, trabalhadores do sector de transportes, professores e milhares de outras pessoas que fornecem os nossos serviços essenciais”, frisa Medina no artigo de opinião publicado no jornal inglês. O programa Renda Segura, apresentado em Fevereiro, quando a covid-19 ainda não tinha sido declarada uma pandemia, é uma das propostas que o autarca refere. A ideia, que é mais um braço do Programa de Renda Acessível da autarquia, prevê que seja a câmara a arrendar casas aos proprietários para depois subarrendá-las à população.

Medina reconhece que a estratégia é “ousada”, mas acredita que faz parte do futuro das cidades globais. “De Melbourne a Paris, a maré está a virar-se contra a expansão urbana e a voltar-se para centros de cidade revitalizados onde os residentes podem chegar aos principais serviços, como médicos, escolas e lojas, a uma distância a pé de 20 minutos”, considera.

O tom do autarca é positivo. Apesar das perdas com o turismo, Medina também vê a nova abordagem como parte da solução para os desafios da crise climática e de saúde pública. “Menos veículos na estrada significa menos poluição e menos emissões nocivas que envenenam o ar que respiramos”, escreve o presidente da Câmara.

Além do programa Renda Segura, o autarca de Lisboa fala ainda de como a Câmara está a trabalhar com empresas privadas para renovar edifícios negligenciados e criar mais alojamento acessível. “Nada disto quer dizer que não queremos turismo ou que não precisamos que os visitantes regressem a Lisboa”, sublinha Fernando Medina perto do final do seu texto. “É simplesmente altura de fazermos as coisas de forma diferente.”

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