Kanye West anuncia candidatura à Presidência dos EUA. É a sério?

Redes sociais cometam que pode ser manobra para ajudar Trump ou para promover o novo disco de que o primeiro single vai ser lançado esta semana.

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Reuters/Kevin Lamarque

O músico norte-americano Kanye West anunciou sábado à noite que se vai candidatar à Casa Branca nas eleições deste ano.

“Devemos cumprir a promessa dos Estados Unidos confiando em Deus, unificando a nossa visão e construindo o nosso futuro. Vou concorrer à Presidência dos Estados Unidos”, escreveu o rapper no Twitter, sob a hashtag “2020 vision”, no dia do feriado nacional mais importante dos EUA, em que se celebra o Dia da Independência.

A sua mulher, Kim Kardashian, estrela de reality shows e empresária, fez um retweet da publicação de West nas redes sociais sob o símbolo de uma bandeira americana.

 Mas, que se saiba, Kanye West, de 43 anos, a estrela mais bem paga da indústria musical em 2020 de acordo com a revista Forbes, não criou ainda um comité de campanha nem entregou uma candidatura à Federal Election Comission, comentava o site Politico no domingo.

“Kanye está só a fazer um favor ao seu amado Trump” ou “Sem dúvida que Donald Trump vai ajudar a financiar e organizar qualquer esforço para pôr Kaney West no boletim de voto em tantos estados quanto possível…” — eram alguns dos comentários nas redes sociais, sugerindo que esta seria uma manobra para retirar o voto negro e dos jovens a Joe Biden, o presumível candidato democrático às eleições de Novembro, que tem estado à frente de Trump nas últimas sondagens, depois da crise da covid-19 e dos protestos que se seguiram à morte de George Floyd.

Já o empresário norte-americano Elon Musk, fundador da Tesla, respondeu no Twitter: “Tem todo o meu apoio.”

Durante uma visita à Casa Branca em 2018, West usou um boné vermelho com o slogan “Tornar a América Grande Outra Vez” e chamou “herói” ao Presidente. Mais tarde, em 2019, disse que só tinha querido provocar os democratas e que tinha como objectivo candidatar-se à presidência. Mas as declarações coincidiram com entrevistas promocionais do seu álbum Jesus is King e a candidatura foi calendarizada para 2024.

Por isso, este fim-de-semana, muitos acusaram-no de estar a usar as eleições para promover o próximo disco, God's Country, de que o primeiro single, Wash us in the blood, estará a sair esta semana. O vídeo, diz o jornal norte-americano New York Times, foi realizado pelo artista Arthur Jafa, que usou a canção Ultralight Beam, do álbum The Life of Pablo (2016), como banda sonora no seu premiado filme Love is the Message, the Message is Death.

O crítico do New York Times, Jon Caramanica, escreve que enquanto Ultralight Beam tinha “uma grandeza trágica” e “dançante”, Wash us in the blood soa como “um alarme estridente”.

Para ser um verdadeiro candidato, Kanye West tem de se apresentar como independente e conseguir as assinaturas necessárias para estar no boletim de voto a 3 de Novembro. O site Politico diz que o prazo para formalizar uma candidatura já terminou no Indiana, Maine, Novo México, Nova Iorque, Carolina do Norte e Texas, mas que West ainda pode aparecer como independente em muitos boletins de voto.

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