Matador de toiros Mário Coelho morreu vítima de covid-19

O toureiro tinha 84 anos e estava internado no Hospital de Vila Franca de Xira desde o passado dia 26, na sequência de doença respiratória grave. Aos 14 anos, Mário Coelho apresentou-se pela primeira vez na Praça de Toiros Palha Blanco como praticante e, com 22 anos, tomou alternativa como bandarilheiro.

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Mário Coelho na inauguração da escultura em sua homenagem DR

Mário Coelho, matador de toiros natural de Vila Franca de Xira, morreu, na madrugada deste domingo, vítima de covid-19. O toureiro tinha 84 anos e estava internado no Hospital de Vila Franca de Xira desde o passado dia 26, na sequência de doença respiratória grave.

Os testes realizados na unidade hospitalar confirmaram que Mário Coelho contraiu o novo coronavírus e não conseguiu resistir à evolução da doença.

Natural de pequena Rua do Alecrim, em pleno centro histórico de Vila Franca de Xira, Mário Coelho Luís foi muito influenciado pelo ambiente que o rodeava. Residiam naquela artéria típica da cidade vários campinos e o pequeno Mário foi alimentando o sonho de vir a ser toureiro.

Aos 14 anos apresentou-se pela primeira vez na Praça de Toiros Palha Blanco como praticante e, com 22 anos, tomou alternativa como bandarilheiro. Nessa função de apoio aos matadores de toiros afirmou-se nas praças de Portugal e de Espanha e foi mesmo considerado o melhor na “arte” das bandarilhas em terras espanholas. Apostou, depois, numa carreira como matador de toiros e tomou a alternativa, em Julho de 1967, na Praça de Badajoz.

Já limitado fisicamente, deixou as arenas em 1990. Segundo refere no livro Da Prata ao Ouro, que editou anos depois, em 35 anos de carreira profissional lidou um total de 3149 toiros em 1472 corridas e 205 festivais.

A pequena casa onde nasceu foi, no final do século passado, adquirida pela Câmara de Vila Franca de Xira, para a instalação de um núcleo museológico que resume o percurso de um dos principais toureiros da terra. Na Casa-Museu Mário Coelho estão, agora, alguns milhares de troféus, cartazes, trajes e múltiplos objectos que marcaram a sua carreira.

Em 2005, Mário Coelho recebeu o grau de Comendador da Ordem de Mérito, atribuído pelo então Presidente da República Jorge Sampaio.

Já no passado dia 19 de Outubro, o Município vila-franquense inaugurou uma escultura em sua homenagem, colocada no Largo do Adro, próximo da casa onde nasceu o toureiro e da escola primária que frequentou.

“Estou a viver um momento em que sinto que valeu a pena esta passagem pela vida”, disse, então, Mário Coelho, recordando a alegria que marcava aquela área da cidade (então vila) nas décadas de 30 a 50. “Ainda tenho nos ouvidos as gargalhadas das crianças e a alegria dessa época. E aqui continuo, com mais de 80 anos, a polir a calçada deste sítio onde vivo. Sinto-me extraordinariamente feliz e honrado”, concluiu o matador de toiros vila-franquense.

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