Marcha do Orgulho LGBT+ no Porto faz-se a pedalar

À marcha segue-se “O Arraial Mais Orgulhoso do Porto”, à distância, com transmissão em directo pelas redes sociais.

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LUSA/MARISCAL

Na véspera houve quem andasse a marcar o percurso entre a Praça da República e a Avenida dos Aliados com bandeiras LGBT+, fotografias, poemas, mensagens. Esta tarde de sábado, pelas 15h30, começa o acto simbólico: uma dezenas de activistas cumpre de bicicleta o tradicional trajecto da Marcha do Orgulho no Porto. Em directo para as redes sociais. 

Os tempos não estão bons para ajuntamentos. Como tem acontecido nas mais diversas partes do mundo, as associações e colectivos que organizam a Marcha do Orgulho LGBT no Porto procuraram encontrar uma forma de existir sem promover o contágio de covid-19

Tudo começou há 15 anos. Gisberta Salce Júnior, uma mulher trans, imigrante indocumentada, sem-abrigo, com sida, foi morta por um grupo de adolescentes. O choque levou o Porto a organizar uma marcha, algo que até então em Portugal acontecia apenas em Lisboa. "Nem menos, nem mais, direitos iguais”, gritava-se no evento, assombrado por meia dúzia de nacionalistas que ostentavam um cartaz: “Não ao lobby gay”.

Essa primeira marcha seguiu, não raras vezes pelos passeios, desde o Campo 24 de Agosto até à Praça D. João IV. A segunda já foi da Praça da República para os Aliados. Lurdes Domingos, activista da UMAR - União de Mulheres Alternativa e Resposta, estava no Sindicato dos Trabalhadores da Saúde, Solidariedade e Segurança Social e abriu a porta para as reuniões entre os organizadores da marcha.

Com a pandemia, o acto teve de ficar reduzido ao simbólico. Uma dezena de activistas cumpre o percurso a pedalar, com transmissão em directo pelo Instagram. “Durante o percurso, vai haver pessoas que vão fazer intervenções”, adianta Patrícia Martins, da organização. “Vamos levar uma carrinha de caixa aberta com algumas frases. Nos Aliados, vamos abrir o bandeirão da marcha - o  bandeirão LGBT.” Subirão depois até à Rua José Falcão. Do Lusitano Bar, farão a segunda edição do Arraial Mais Orgulhoso da Cidade, em formato online.

O programa do arraial inclui vários espectáculos de drag queens (Natasha Semmynova, La Pollaca, Dyanne Star, Kitty Sweet, Ashley Scarlatti), um concerto de Fado Bicha e outros momentos artísticos. Ao mesmo tempo, decorre uma angariação de fundos para a Casa Arco-Íris (uma estrutura de acolhimento de emergência para vítimas de violência doméstica LGBTI gerida pela Associação Plano i) e o SOS Racismo.