Opinião

Um Estado forte defende Portugal

O caso da Efacec é um exemplo paradigmático da intervenção do Estado enquanto pilar essencial da preservação da competitividade nacional e da nossa capacidade de enfrentar e de vencer a crise económica latente.

A covid – sabemos todos – será responsável por uma crise económica mundial, que afetará todos os países sem exceção.

É o momento das nossas vidas em que perceberemos a importância de um Estado capaz de intervir nos momentos certos, preservando as condições de competitividade nacional, protegendo o emprego e permitindo que sectores fundamentais para o país sobrevivam e possam contribuir para a recuperação económica.

Vivíamos, já antes da covid, uma fase de transformação económica em que as questões ambientais ganharam importância e se começou a perceber o impacto social do desenvolvimento tecnológico, da robotização e da inteligência artificial na transformação dos mercados de trabalho.

A covid veio demonstrar a importância do Estado Social, do Serviço Nacional de Saúde e dos equilíbrios que só um Estado democrático pode fazer.

Mas veio também demonstrar, para quem tinha dúvidas, que a Europa precisa de manter a sua independência industrial, estabelecendo uma robusta relação entre universidades e empresas, apostando na inovação e no conhecimento.

O papel de Portugal nesta relação virtuosa entre a indústria e a investigação cientifica e tecnológica é uma das áreas de que nos podemos orgulhar. Em Matosinhos, esta relação dinâmica entre conhecimento e as suas aplicações industriais é bem notória no CEiiA e no CIIMAR. Mas, também, em empresas fortemente inovadoras como a Efacec.

O caso da Efacec é um exemplo paradigmático da intervenção do Estado enquanto pilar essencial da preservação da competitividade nacional e da nossa capacidade de enfrentar e de vencer a crise económica latente.

Como refere o Decreto-Lei que nacionaliza a Efacec, a empresa tem um “perfil fortemente tecnológico e inovador, sendo uma referência internacional em setores vitais para a nossa economia”. É uma empresa estruturante, viável economicamente, fortemente exportadora, com um peso de exportações de cerca de três quartos do seu volume de negócios de 400 milhões de euros.

A Efacec é uma grande empresa de engenharia, globalizada, com cerca de 2500 trabalhadores e quadros altamente qualificados, que tem um papel importante na descarbonização da economia e nas oportunidades de afirmação de Portugal no contexto global do combate às alterações climáticas.

Temos de estar conscientes da dureza dos tempos que se aproximam. São tempos que exigirão um Estado forte, com capacidade de decisão rápida. Tempos que exigirão responsabilidade a todos os partidos e coerência no discurso e na ação.

Estamos perante um momento invulgar, desafiante e exigente. Um momento em que a política estará visivelmente próxima da vida dos cidadãos. Um momento em que a nossa grande batalha coletiva será a de minimizar os impactos sociais da crise económica e garantir as melhores condições para que o país consiga ultrapassar a crise e saia dela mais forte e mais preparado para crescer, de forma equilibrada, corrigindo desigualdades e promovendo um modelo de desenvolvimento sustentável.

A tomada de posição do Governo no caso da Efacec é uma prova de determinação de um Estado chamado a responder a um gigantesco desafio, provavelmente a um dos maiores desafios da nossa democracia e da nossa época.

Portugal vai conseguir ultrapassar esta crise se conseguir resolver todas as situações que forem surgindo no nosso caminho, como resolvemos a da Efacec. Com coragem e com determinação!

Sempre foi possível compatibilizar o crescimento económico com a defesa dos valores sociais, com a proteção do emprego e com o combate às desigualdades. Mas havia quem duvidasse desse caminho.

Agora, nesta crise, o que sempre foi possível passou a ser obrigatório. Saibamos fazer deste momento uma lição de vida e uma oportunidade para “mudarmos de vida”… por nós e pelas gerações futuras.

A autora escreve segundo o novo acordo ortográfico

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