Marcha do orgulho LGBT foi cancelada, mas milhares reuniram-se em Paris para defender direitos e criticar racismo

Sem carros alegóricos, música, ou concertos, o dia tornou-se numa oportunidade para alertar para a discriminação que a comunidade LGBT ainda enfrenta, mas também para o racismo e violência policial.

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Milhares marcharam apesar das restrições associadas à covid-19 proibirem ajuntamentos de mais de 10 pessoas Charles Platiau/Reuters

Mais de duas mil pessoas marcharam este sábado contra o racismo, discriminação e a favor dos direitos LGBT em Paris, França, uma semana depois da marcha do Orgulho LGBT da capital ter sido adiada até Novembro devido à crise de saúde pública associada à pandemia de covid-19.

Embora as restrições associadas à covid-19 proíbam ajuntamentos de mais de 10 pessoas em Paris, o evento deste fim-de-semana está a ser descrito como uma “marcha espontânea” depois de vários grupos LGBT coordenarem pequenas reuniões e marchas por toda a cidade. Sem carros alegóricos ou concertos, o dia tornou-se numa oportunidade para exibir cartazes de protesto e alertar para a discriminação que a comunidade LGBT ainda enfrenta, mas também para o racismo e violência policial.

Várias pessoas traziam cartazes onde se podia ler “Black Lives Matter” em apoio aos protestos nos EUA que foram desencadeados pela morte do norte-americano George Floyd, no final de Maio.

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Os participantes juntaram-se para marchar contra o racismo e a favor dos direitos LGBT Charles Platiau/Reuters

“A marcha do Orgulho normal foi cancelada devido à covid, mas conseguimos organizar uma marcha que é mais política”, resumiu Saint Eugene, um drag king a participar na marcha, em declarações à Reuters.“Era importante celebrar o orgulho de qualquer forma”, justificou, por sua vez, Emma Vallée-Guillard, 22 anos, à Agence France Presse (AFP) durante a tarde.

“O perigo de darmos um passo atrás nos nossos direitos fundamentais está muito presente e a epidemia serviu para revelar múltiplos factores de exclusão, discriminação e violência”, sublinhou à AFP Giovanna Rincon, directora da associação parisiense Acceptess-T, que defende o direito das pessoas transgénero. 

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"Procriação Medicamente Assistida para todos", lê-se num cartaz Charles Platiau/Reuters

Mais de 200 marchas LGBT foram canceladas este ano devido à pandemia da covid-19. Os dados são da Associação de Organizações Orgulho Europeia (EPOA) que estima que 22 milhões de pessoas em todo o mundo participam em pelo menos uma destas marchas por ano.

Desde 1969 que Julho é considerado o mês do orgulho queer. Tudo começou quando a 28 de Junho desse ano a polícia de Nova Iorque, nos EUA, invadiu o Stonewall Inn, um bar frequentado maioritariamente por gays, mas também por lésbicas e pessoas transgénero, e os ocupantes decidiram ripostar e expulsar as autoridades do espaço. A resposta desencadeou uma vaga de manifestações a favor da igualdade que deu visibilidade às injustiças enfrentadas pela comunidade LGBTI+.

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