Estado indiano de Nagaland proíbe venda e consumo de carne de cão

Defensores dos direitos dos animais dizem que medida é um “grande ponto de viragem”, mas alguns sectores da população local temem impacto nos hábitos alimentares.

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Consumo de carne de cão é comum em locais do Nordeste da Índia JAGADEESH NV/EPA

O estado indiano de Nagaland proibiu a importação, o comércio e a venda de carne de cão. O anúncio foi feito pelo secretário-chefe daquela região do Nordeste da Índia.

“O governo estadual decidiu proibir a importação e venda de cães em mercados, bem como a venda da carne de cão, seja cozinhada ou não. Aprecio esta sábia decisão tomada pelo gabinete estadual”, escreveu no Twitter Temjen Toy. 

A carne de cão é consumida por vários sectores da população do estado de Nagaland. De acordo com o Hindustan Times, é frequente que cães abandonados sejam capturados nos estados vizinhos, como Bengala Ocidental, para depois serem levados para Nagaland, onde a carne do animal é vendida em alguns mercados.

Uma vez que o comércio de carne de cães não é regulado, não existem dados oficiais sobre a quantidade de carne de cão que é vendida ou consumida naquele estado indiano, no entanto, segundo várias organizações de defesa dos direitos dos animais, mais de 30 mil cães são traficados anualmente para Nagaland, onde são espancados até à morte, para depois serem vendidos. 

Na origem da decisão do governo estadual, segundo a BBC, está a pressão exercida por uma parte significativa da população de Nagaland, depois de terem circulado nas redes sociais imagens de cães amarrados dentro de sacos num mercado, que causaram enorme indignação.

Depois de ver as imagens, a deputada Maneka Sanjay Gandhi, conhecida ambientalista e defensora dos animais do país, do Bharatiya Janata Party (BJP, nacionalista hindu), de Narendra Modi, apelou ao governo de Nagaland para proibir a venda e o consumo de cães. Mais de 125 mil pessoas escreveram cartas ao governo com um apelo semelhante.

Apesar de o governo estadual ainda não ter revelado como vai pôr em prática a proibição, uma vez que a venda destes animais é feita em mercados informais e não é regulada, as organizações de defesa dos animais consideram que este é um “grande ponto de viragem” para acabar com os maus-tratos a cães no Nordeste indiano.

“O sofrimento de cães em Nagaland há muito que assombra a Índia, por isso estas notícias marcam um grande ponto de viragem no sentido de terminar a crueldade do comércio oculto de carne de cão”, afirmou Alokparna Sengupta, da Humane Society Internacional, citada pela BBC. 

Contudo, a proibição não é consensual e está a gerar alguma contestação de vários grupos da sociedade civil de Nagaland, que temem que o fim do consumo de carne de cão tenha um impacto significativo nos hábitos alimentares de parte da população local. 

“O governo pode ter algumas razões para impor a proibição. Mas isso vai ter um impacto nos hábitos alimentares, uma vez que a carne de cão é consumida por uma secção da população local. Não faço ideia como é que o governo vai restringir os hábitos alimentares e implementar esta medida”, afirmou Theja Therieh, membro do conselho naga, um dos grupos étnicos do Nordeste indiano.

A decisão do estado de Nagaland surge depois de, no início do ano, o estado de Mizoram  ter aprovado legislação no sentido de terminar com o comércio da venda e consumo de carne de cão.

No entanto, esta prática ainda é comum em algumas partes do Nordeste da Índia, bem como em outros países, como a China, a Coreia do Sul, a Tailândia ou o Vietname.

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