Ministra da Cultura realça “lugar capital” de Coimbra na arte contemporânea

Graça Fonseca disse que a Colecção de Arte Contemporânea do Estado será um acervo privilegiado para dinamizar ou fazer nascer novos espaços culturais. Coimbra é “ponto de partida da nova Rede Portuguesa de Arte Contemporânea”, frisou a ministra da Cultura.

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A ministra da Cultura, Graça Fonseca, acompanhada pelo presidente da Câmara de Coimbra, Manuel Machado (ao centro), durante a inauguração do Centro de Arte Contemporânea de Coimbra LUSA/PAULO NOVAIS
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Graça Fonseca enquadrada por uma obra de Rui Chafes LUSA/PAULO NOVAIS
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A ministra observa uma fotografia de Helena Almeida LUSA/PAULO NOVAIS
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A ministra da Cultura, Graça Fonseca, disse este sábado que Coimbra tornou-se um “lugar capital na história” da Colecção de Arte Contemporânea do Estado com um equipamento que acolhe 193 obras da antiga colecção BPN. “A partir de Coimbra, celebramos um dia histórico para a arte contemporânea em Portugal”, afirmou Graça Fonseca, na abertura do Centro de Arte Contemporânea da cidade e da sua exposição inaugural.

Para a ministra, esta dupla cerimónia representa “o culminar de um longo trabalho que tem vindo a ser desenvolvido pelo Governo e que contou com a inestimável parceria do município de Coimbra”. Traduz, igualmente, “aquilo que é o futuro e o novo rumo” que as duas entidades querem dar à ex-colecção BPN, disse.

O novo equipamento cultural da autarquia, presidida por Manuel Machado, está situado num edifício reabilitado junto ao Arco da Almedina, no centro histórico, que resultou de uma parceria com o Ministério da Cultura.

A iniciativa conjunta concedeu à Colecção de Arte Contemporânea do Estado “uma vocação verdadeiramente nacional, no sentido de que é capaz de chegar a todas as pessoas e a todo o território”, realçou Graça Fonseca. “A colecção (...) não será de um lugar, mas de todos os lugares a partir dos quais ela possa chegar a quem a queira conhecer. Será também um acervo privilegiado para dinamizar ou fazer nascer novos espaços culturais”, acrescentou.

A ministra da Cultura recordou que, entre 2017 e 2019, fruto de “um esforço conjunto que envolveu as áreas governativas da Cultura e das Finanças, o conjunto valiosíssimo e estratégico de obras pertencentes à colecção ex-BPN passou a ser propriedade do Estado português”.

Esta medida, segundo Graça Fonseca, “representou um investimento em arte contemporânea na ordem dos 60 milhões de euros que veio garantir a visibilidade e fruição pública de um conjunto que inclui a colecção Joan Miró, no Porto, e as 193 obras que ficarão agora em Coimbra e constituirão a base fundamental” do centro agora inaugurado.

O momento integrou o programa das comemorações do Dia da Cidade e do feriado municipal, 4 de Julho, habitualmente articulado com as festas religiosas em honra da Rainha Santa Isabel, padroeira de Coimbra, cuja procissão não se realiza desta vez, devido à pandemia da covid-19.

“Coimbra é um exemplo que queremos multiplicar e projectar no futuro, não só na consolidação e desenvolvimento desta parceria, mas na forma como, a partir daqui, podemos lançar as bases para uma estratégia partilhada e participada de todos e para todos”, passando a cidade do Mondego a ser “ponto de partida da nova Rede Portuguesa de Arte Contemporânea”, frisou a ministra da Cultura.

Antes da abertura da exposição Corpo e Matéria, o autarca Manuel Machado sublinhou que a iniciativa faz parte “de uma dinâmica mais vasta, a de valorizar Coimbra como uma referência da arte contemporânea, e com os olhos postos na Capital Europeia da Cultura 2027”, à qual a cidade se candidata.

“Coimbra, classificada como cidade Património Mundial pela UNESCO, é desde há séculos um território privilegiado de cruzamento do antigo e do novo, local de crescimento e de passagem de homens como Fernando de Bulhões [Santo António], de quem agora se assinala o oitavo centenário, ou de artistas tão inovadores para a sua época como o escultor Nicolau de Chanterene”, afirmou.

Para Manuel Machado, “a cultura, as artes e os espectáculos são instrumentos fundamentais para voltar a instalar nos cidadãos o sentimento de confiança no convívio social, a confiança de poder conviver em segurança”.

A actividade do Centro de Arte Contemporânea, da autoria dos curadores David Santos e José Maçãs de Carvalho, começa com o ciclo “De que é feita uma colecção?” e com uma primeira exposição de uma série de três, intitulada Corpo e Matéria, com 27 obras do antigo acervo do BPN.

Antes da cerimónia, cidadãos e autarcas da União de Freguesias de Coimbra marcaram presença na rua Ferreira Borges para contestar a deslocalização das estátuas Guitarra de Coimbra e Tricana de Coimbra.

Em silêncio, exibindo uma faixa com a frase “A estátua é nossa!”, o grupo de eleitos e moradores da antiga freguesia de Almedina demarcou-se da remoção, já efectuada, da primeira escultura, da autoria de Celestino Alves André, implantada no local, junto ao Arco de Almedina.