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Conguitos: marca de chocolate pressionada a repensar imagem

Uma petição online com mais de 5500 assinaturas pede à Lacasa que repense a marca de chocolates. A empresa garante que esta é “respeitadora para todos, sem excepção”.

Uma petição online, que pretende reunir 7500 assinaturas, acusa a marca Lacasa de ter mantido uma imagem “estigmatizante para a população negra”, dado a “cor de pele associada ao chocolate” e os “lábios vermelhos totalmente desproporcionais” da mascote da marca Conguitos.

Embora a petição esclareça não ter nada contra a Lacasa, “nem tão pouco afirmar que são racistas”, pede que “repensem e deixem de comercializar um produto que estigmatiza, tanto pelo seu nome como pela sua imagem”.

O nome Conguitos data de 1987 e foi atribuído pela empresa de Saragoça. O nome e a imagem da marca, criados em 1961, foram inspirados na recente independência do Congo Belga. O autor da ilustração, Juan Tudela Férez, afirma que, se fosse hoje, “não o teria feito da mesma forma”. “Estávamos numa época em que era comum dar um toque exótico aos produtos”, esclareceu a numa entrevista ao El Periódico de Aragón

Actualmente, a marca é detida pela empresa Lacasa, que afirma ter mudado de posição desde a compra da mesma à antecessora: “Desde que o Grupo Lacasa adquiriu o produto tem vindo a livrar-se das originais conotações da imagem, atribuindo-lhe valores positivos relacionados com a marca e distantes de qualquer raça em particular”, explicaram oficias da empresa ao El País

A Lacasa reforça o seu argumento apontando que, na versão de chocolate branco, a mascote é branca e que esta consiste apenas num boneco animado composto por dois pedaços do chocolate, um em cima do outro. No entanto, o El País alerta para vídeos publicitários que caracterizam as personagens de forma tribal. 

A Lacasa garante ter efectuado estudos de mercado neste sentido. Numa declaração citada pelo El País, a empresa explica: “A vasta maioria associa os Conguitos a diversão e energia positiva. Se considerássemos o produto ou a sua imagem ofensiva de alguma forma, seríamos os primeiros a mudar. Todavia, acreditamos sinceramente que a mascote é respeitadora para todos, sem excepção.”

A escritora e activista Lucia Asué Mbomio não pertence a esta maioria. “O problema com a associação de uma imagem adorável à marca é que esta só o é para pessoas que não são negras. Existia um grupo no Facebook chamado ‘Na escola também me chamavam Conguito’ e não era propriamente engraçado”, cita à mesma fonte. E acrescenta que “este é só mais um pilar que reforça a associação das pessoas negras ao subdesenvolvimento, pobreza e selvajaria”, cita o El País.

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