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2500 tablets para doentes internados verem a família: é este o objectivo de uma associação do Porto

Os hospitais podem solicitar os dispositivos que ficarão mais tempo com as pessoas internadas, permitindo conversas mais longas e sem o auxílio dos profissionais de saúde. 21 tablets já foram entregues, dos 68 solicitados até ao final de Junho.

Um projecto dinamizado por uma ex-enfermeira quer angariar 2500 tablets para combater o isolamento social dos doentes internados nos hospitais do Serviço Nacional de Saúde. percepção de que, “pelo menos 10% dos doentes internados têm capacidade para fazer videochamadas, mas não têm equipamentos”, fez nascer o projecto Estou, promovido pela associação sem fins lucrativos Semeiabraços, sediada no Porto. 

Os equipamentos destinam-se a “doentes internados e que têm as visitas dos seus familiares condicionadas”, explicou à Lusa uma das impulsionadoras, Luísa Machado. O projecto é inspirado no espanhol Acortando la distancia, e enquadrado no facto de a “pandemia do novo coronavírus não privar, apenas, os doentes com covid-19 de estar em contacto com os seus familiares”. “Acabou, também, por ditar o afastamento entre milhares de doentes que, internados, deixaram de poder receber visitas dos familiares”.

Nesta fase, os 2500 equipamentos que pretendem angariar “destinam-se aos hospitais do Serviço Nacional de Saúde” e o projecto “conta já com o apoio de algumas empresas. “Na nossa plataforma online é possível não só aos hospitais inscreverem-se para receberem os equipamentos, mas também as empresas e pessoas em nome individual fazerem os seus donativos”, observou. Segundosite do projecto, os hospitais solicitaram até ao final de Junho 68 dispositivos. O custo comparticipado de cada tablet é de 72,52 euros.

O desafio surgiu de “um grupo de médicos portugueses”, sendo que todos “colaboram de forma voluntária, no sentido de angariar fundos para a aquisição de tablets. Dessa forma, contabilizou a ex-profissional de saúde, “conseguiram angariar 40 dispositivos, sendo que 21 foram já entregues a diversos hospitais e unidades de cuidados paliativos. 

O equipamento em si “está dotado de um software específico oferecido graciosamente para o projecto e que pode “ser utilizado até mesmo por aqueles que têm mais dificuldades no uso de novas tecnologias, não sendo necessário login, email ou número de telefone dos doentes”, acrescentou. “O software permite que os doentes possam fazer uma videochamada à distância de dois cliques, sem qualquer necessidade de criação de contas”, diz, reconhecendo que “Portugal é um país onde a iliteracia digital ainda é um problema”.

Outro dos “factores diferenciadores do Estou prende-se com o facto de o tablet ficar na unidade do doente durante todo o internamento, permitindo contactos com a família mais frequentes, mais prolongados e sem intervenção dos profissionais de saúde”, frisou a responsável. “Os tablets são entregues, bloqueados, ao uso de outras aplicações para que não se desvirtue a intenção original do projecto com outros propósitos”, sublinhou Luísa Machado.

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