Torne-se perito

Academia de Hollwood convidou 819 novos membros, entre os quais o português Luís Urbano

45% dos futuros integrantes serão mulheres e 36% de minorias étnicas. O número de membros não-americanos triplica.

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Mario Anzuoni/Reuters
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O produtor Luís Urbano Miguel Manso

A Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood convidou 819 novos profissionais (actores, realizadores, produtores ou executivos) a juntarem-se à organização que vota nos Óscares. Entre eles está o nome do produtor português Luís Urbano, da O Som e a Fúria, ligada a filmes como Tabu (2012) e As Mil e Uma Noites, de Miguel Gomes, ou Cartas da Guerra (2016), de Ivo Ferreira, e à afirmação internacional de realizadores como João Nicolau ou Salomé Lamas. Nos tempos mais recentes, Luís Urbano co-produziu filmes como Zama, da argentina Lucrecia Martel, Ramiro, de Manuel Mozos, ou Mariphasa, de Sandro Aguilar, o seu principal cúmplice e sócio na produtora O Som e a Fúria.

Os convites da organização responsável pelos galardões mais importantes da indústria do cinema vão no sentido de continuar a tarefa de diversificação dos seus membros, depois de sucessivas polémicas, iniciadas com a campanha #OscarsSoWhite ("Óscares tão brancos"), despoletada em 2016. Se todos os convidados aceitarem a convocatória para votar nos Óscares, 45% dos novos membros da Academia serão mulheres e 36% de minorias étnicas ou raciais. Segundo o comunicado da Academia, 49% dos convidados são de 68 países, o que permitirá triplicar o número de membros não-americanos.  

Entre as convidadas estão a mexicana Yalitza Aparicio, a actriz-revelação de Roma, a cubana Ana de Armas, futura ‘Bond girl’, ou Eva Longoria, conhecida pela série Donas de Casa Desesperadas, mas também pelo seu papel na luta pela representação latina na indústria do entretenimento. Cinco dos actores de Parasitas, o último filme vencedor dos Óscares, também foram convidados.

No campo dos realizadores contam-se, por exemplo, o dinamarquês Ali Abbasi, o sueco Levan Akin, a italiana Francesca Archibugi, a espanhola Icíar Bolláin, a paraguaia Paz Encinao, o brasileiro Alejandro Landes ou o britânico Matthew Vaughn. A Academia tradicionalmente limitava o número de membros a seis mil, mas tem vindo a aumentá-lo desde que assumiu o compromisso de diversificar as figuras votantes. Em 2016, a organização foi muito criticada pela ausência consecutiva de profissionais negros entre as 20 nomeações das categorias de interpretação. O caso motivou uma onda de protestos.

Na actualidade, os membros da Academia de Hollywood aproximam-se dos dez mil, o que se acredita ter sido relevante para a vitória, no ano passado, do filme sul-coreano Parasitas, a primeira produção em língua não inglesa a vencer o Óscar de Melhor Filme.

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