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Um momento de publicação independente: Mindex

Fanzines, edições de autor, livros de artista — nesta rubrica queremos falar de publicação independente. Fernando Dordio apresenta Mindex.

Apresenta-nos a tua publicação.
Mindex, editado pela Kingpin Books em Fevereiro de 2020. É um livro de ficção científica hardboiled que pretende ser uma reflexão sobre a privacidade e o valor da informação pessoal.

Quem são os autores?
Fernando Dordio (ideia e argumento), Mário Freitas (argumento, legendagem e design) e Pedro Cruz (arte)

Do que quiseste falar?
As redes sociais, as plataformas digitais e a tecnologia têm tanto de fascinante e útil, como de perigoso. Em 2008, quando o browser Chrome saiu, a Google deixou no contrato de licença de software uma nota que diz que todos os conteúdos produzidos no browser eram propriedade do Google. De seguida, os utilizadores questionaram imediatamente: “Onde estava o motto don't be evil"?

Como sou engenheiro informático, fiquei com aquela ideia: “Vou confiar só porque me dizem que estão a fazer a coisa como deve ser? E se eles...?”. Esta foi a semente para pensar no seguinte: “E se em vez de páginas e informação online, existisse um Google para as memórias e aquilo que nos faz ser a pessoa que somos? Será que a sociedade iria agir de outra forma?”

Questões técnicas: quais os materiais usados, quantas páginas tem, qual a tiragem e que cores foram utilizadas?
O argumento foi feito por mim (Fernando Dordio) de forma completa e dado ao Pedro Cruz. Depois eu, o Mário e o Pedro discutimos a história e como é que o argumento poderia ser mais adaptado à arte do Pedro (isto em 2016). E antes de finalizar, o Mário contribuiu no argumento, com novas ideias e uma melhoria do ritmo da história. Teve uma tiragem de 450 exemplares em Portugal e 350 no Reino Unido. É em capa dura, tendo uma capa para cada língua. Como o livro é a cores, a tiragem a inglês não aumentou o custo, porque foi tudo feito em paralelo, substituindo a layer do texto.

Onde está à venda e qual o preço?
O livro está à venda na loja da Kingpin Books na Almirante Reis, em Lisboa, e custa 14.45 euros, estando neste momento com 10% de desconto — poderá ser encontrado na loja física e na loja online. Encontra-se também à venda na Livraria Cult, no Areeiro (imagino que exactamente nas mesmas condições).

PÚBLICO -
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Porquê fazer e lançar edições hoje em dia?
Fazer livros de banda desenhada é uma paixão, uma forma de criar algo do zero. Neste caso, num livro de ficção científica, a BD é uma forma de podermos dar largas à imaginação, sem nos preocuparmos com orçamentos para efeitos especiais ou pós-produção. A maior parte dos autores fazem BD em Portugal por carolice —​ isto porque, no fim do dia, com um mercado de nicho, cada vez com mais livros, é complicado por vezes que o livro se pague. Mas existe sempre aquele bichinho...

Este livro foi bastante penalizado pela situação da pandemia. Sendo um livro de autor e de uma temática invulgar, os eventos eram fundamentais para ele chegar ao público. Em Fevereiro estava a ver a divulgação do livro muito bem encaminhada, com conversas em bibliotecas e livrarias, sempre com a ficção científica e os temas que o livro aborda como base do interesse. Entretanto, a pandemia veio impossibilitar tudo isto e a sua divulgação será bastante complicada. Numa altura em que se fazem apelos à Cultura, deixo aqui um apelo aos apoios à Cultura e também à BD, cujos eventos ou não se realizaram ou poderão não se realizar com enormes prejuízos para editoras e autores.

Recomenda-nos uma edição de autor recente lançada em Portugal.
Living Will de 1 a 7, da Ave Rara. Escrito por André Oliveira, desenhado por Joana Afonso e Pedro Serpa

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