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A Cidade Minúscula é uma revista de arquitectura para crianças (e não só)

Nova revista procura simplificar a arquitectura para os mais pequenos. A primeira edição foi lançada no Dia da Criança e é dedicada ao recreio, estando o próximo número da Cidade Minúscula previsto para o Natal.

Se conceitos de arquitectura podem ser confusos para adultos, para as crianças é ainda mais difícil entender o bê-á-bá desta profissão. Mas há quem esteja a tentar mudar esta realidade — e foi por isso que nasceu a Cidade Minúscula, uma nova revista dirigida aos mais pequenos, para “trocar a arquitectura por miúdos”. Com uma periodicidade semestral, a primeira edição foi lançada a 1 de Junho, Dia da Criança, e tem como mote o recreio. O próximo número deve sair no Natal.

“A ideia surge para preencher a lacuna que existe relativamente a revistas de arquitectura para crianças. Noutros países há tentativas de se fazer algumas brochuras, mas que não têm uma periodicidade como esta projecta ter. Esta revista tem duas edições anuais, uma no Dia da Criança e outra em Dezembro, que serão as alturas em que a infância deve ser lembrada ainda mais”, explica ao P3 a arquitecta Carolina Freitas, que integra a equipa da Cidade Minúscula juntamente com João Sousa, Pedro Martins, Rodrigo Lopes e Sabrina Santos.

O público-alvo é a faixa entre os seis e os nove anos e os exercícios da revista foram idealizados para serem realizados em conjunto com os pais ou professores. “Entende-se que a arquitectura deve ser ensinada de forma muito generalista, porque todos beneficiamos de alguns conceitos básicos e devemos começar desde logo a ensiná-los, por isso na revista damos muito espaço à sustentabilidade e à vivência dos espaços públicos”, afirma Carolina Freitas.

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Mas a revista não é o primeiro projecto deste género da equipa, que já trabalha com crianças há mais de quatro anos. “Já trabalhamos com cerca de mil meninos localmente e a revista acaba por surgir para chegar a crianças noutros locais do país. Notamos que eles têm uma percepção totalmente diferente do que é o espaço público, de como deve ser gerido e até de como devem organizar o espaço interior de uma casa. Não queremos que eles sejam arquitectos, queremos que desenvolvam uma maior noção física e um maior espírito crítico”, conta a arquitecta.

A revista, que custa cinco euros, inclui também um glossário para simplificar as ideias que as crianças ainda não compreendem, incluindo conceitos políticos, como o que fazem os vereadores. “Um dia estas crianças vão ter uma profissão e vão estar mais despertas para analisar como deve ser feita a reestruturação de uma cidade. Os erros que são cometidos pelas autarquias vão demorar 50 ou 60 anos a ser corrigidos, porque os edifícios e as praças não podem ser reabilitados de um dia para o outro”, esclarece Carolina Freitas. É preciso saber se durante pelo menos uma geração se vai viver “com uma má ou uma boa decisão” e treinar o olhar das crianças é “essencial”.

A lista de parcerias inclui faculdades de arquitectura e a Câmara Municipal de Albergaria-a-Velha. Há também intenções de se fazer uma parceria “muito vantajosa” com a Casa da Arquitectura na próxima edição. O feedback tem sido “muito bom” e o objectivo é “cumprido” sempre que uma criança “retira uma conclusão com as ferramentas” oferecidas. Há também planos para a criação de uma versão online da revista. “Já está a andar há algum tempo, no entanto são conteúdos que devem ser preparados com alguma cautela para chegarem da maneira que devem chegar às crianças e até aos pais e aos professores”, remata Carolina Freitas.

A primeira edição da Cidade Minúscula pode ser comprada em vários locais em Aveiro, Sever do Vouga, Albergaria-a-Velha e Espinho ou através da página do Facebook, onde estão também disponibilizadas as moradas dos pontos de venda.

Texto editado por Ana Maria Henriques

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