Três guardas infectados na prisão da Carregueira. Visitas foram desmarcadas

Os três elementos do corpo da guarda prisional infectados “estão assintomáticos e em isolamento domiciliário”, diz a Direcção-Geral de Reinserção e Serviços Prisionais. Visitas desta sexta-feira foram desmarcadas e serão retomadas na segunda-feira.

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LUSA/ANTÓNIO PEDRO SANTOS

A Direcção-Geral de Reinserção e Serviços Prisionais (DGRSP) confirmou que há três guardas do Estabelecimento Prisional da Carregueira infectados com o novo coronavírus, depois de o Sindicato do Corpo da Guarda Prisional ter divulgado esta informação e afirmado que a situação estaria a ser ocultada. 

Os três elementos do corpo da guarda prisional “estão assintomáticos e em isolamento domiciliário”, revelou a direcção-geral numa nota informativa  em que sublinha que recebeu esta quinta-feira os resultados dos testes efectuados a estes trabalhadores. Posteriormente, adiantou que, “por precaução e enquanto decorre o levantamento epidemiológico de contactos de proximidade”, não se iriam realizar as 19 visitas aos reclusos marcadas para esta sexta-feira. As visitas serão retomadas na segunda-feira.

Esta decisão foi tomada depois de “os elementos do corpo da guarda prisional terem pedido esclarecimentos sobre as medidas profilácticas que iam ser tomadas, aguardando na formatura”, o que fez com que tivessem sido convocados guardas de “outras unidades orgânicas”, explicou a DGRSP. "Prestados os esclarecimentos solicitados de que estava a caminho uma equipa médica para avaliação epidemiológica, o trabalho no Estabelecimento prisional da Carregueira retornou à normalidade”, acrescentou. 

A denúncia de que havia trabalhadores infectados foi avançada pelo Sindicato do Corpo da Guarda Prisional ao Observador esta sexta-feira de manhã pelo presidente da estrutura, Jorge Alves, que acusou os responsáveis do estabelecimento prisional de tentar ocultar os resultados dos testes.

Os três profissionais infectados, dois dos quais “são chefes”, “estiveram a trabalhar depois de terem feito os testes na terça-feira e em contacto com cerca de 50 elementos da guarda prisional”, relata Jorge Alves. “Os guardas estão indignados e exigem que se façam testes a todos”, disse Jorge Alves ao PÚBLICO.

A DGRSP assegura que todos os que tiveram contacto com os infectados “já foram testados e os resultados recebidos foram todos negativos” e acrescenta que está ainda a “proceder à avaliação dos contactos de proximidade susceptíveis de contágio que tenham tido com reclusos para que estes sejam, também, testados”. O estabelecimento prisional da Carregueira tem cerca de 700 reclusos.

Este é o segundo foco de covid-19 detectado em estabelecimentos prisionais nos últimos dias. Esta semana foram identificados três casos de covid-19 entre funcionárias de limpeza de uma empresa externa que presta serviço no Hospital Prisional de Caxias. A DGRSP refere, a propósito, que “os testes efectuados aos reclusos que tiveram contactos de proximidade, com risco de contágio, com as trabalhadoras da empresa externa” que presta serviços a este hospital prisional “e que haviam acusado positivo à Covid 19, foram todos negativos”.

Os casos foram conhecidos na sequência do rastreio nacional que está a ser feito nestes estabelecimentos e que já abrangeu cerca de 3300 pessoas.​ Os anteriores 21 casos positivos detectados no sistema prisional foram entretanto dados como curados.

Dos quadros da DGRSP estiveram com covid-19 um total de 15 trabalhadores: sete guardas prisionais, uma assistente técnica, uma auxiliar de acção médica, uma médica, duas enfermeiras e três seguranças. Houve ainda cinco reclusos e um jovem internado infectados, mas “todos contraíram a doença na sua vida social”, segundo a direcção-geral — são casos de retornos de saídas e de entradas. 

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