El País diz que “três milhões de lisboetas” voltaram ao confinamento. Governo critica “falsidade” e pede correcção

Jornal espanhol diz na primeira página que Portugal ordenou o confinamento de três milhões de lisboetas. Ministério dos Negócios Estrangeiros espera que o jornal “possa fazer a correcção devida com a urgência e a publicidade que essa falsidade exige”.

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Odivelas, distrito de Lisboa LUSA/MÁRIO CRUZ

O Governo português criticou esta sexta-feira o título de uma notícia da primeira página do El País, que apelida de "totalmente falso”, e espera que o jornal “possa fazer a correcção devida com a urgência e a publicidade que essa falsidade exige”.

Em causa está uma notícia em que o diário espanhol escreve que “Portugal ordenou o confinamento de 3 milhões de lisboetas”, algo que o Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) diz não ser verdade. O título da notícia da versão impressa é diferente da versão online, onde se lê que “Portugal confinou a Grande Lisboa”. No corpo da notícia, o jornal escreve que “o governo decidiu aplicar o estado de calamidade – o mais alto – a 19 distritos da zona de Lisboa”.

“Pelo contrário, a grande parte da Área Metropolitana de Lisboa (com a excepção de 19 freguesias, das 118 freguesias da AML) passou a uma nova fase de desconfinamento (passou da ‘situação de calamidade’ para a ‘situação de alerta')”, refere o MME em comunicado.

O primeiro-ministro, António Costa, anunciou esta quinta-feira após a reunião do Conselho de Ministros que o país passará, a partir das 0h de 1 de Julho, da situação de calamidade para o regime de estado de alerta.

Na Área Metropolitana de Lisboa (AML), por outro lado, “justifica-se reduzir do estado de calamidade para passar ao estado de contingência” (um estado intermédio), havendo, porém, 19 freguesias de cinco concelhos da AML que vão permanecer em estado de calamidade.

“O Ministério dos Negócios Estrangeiros lamenta profundamente que um jornal com o prestígio e a responsabilidade do El País publique uma tal falsidade”, lê-se no comunicado do governo português.

É uma nova resposta diplomática por parte do governo português motivada pela covid-19. A 18 de Junho, o gabinete do ministro dos Negócios Estrangeiros considerou que as decisões de “alguns Estados-membros” de proibir a entrada de portugueses nos seus territórios (como a Dinamarca, Noruega, Finlândia, Áustria e Chipre) foram tomadas “ao arrepio das decisões tomadas pela União Europeia” e destacou que Portugal tem mais casos detectados porque “tem realizado muito mais testes do que a maioria dos países europeus”.

Na resposta enviada ao PÚBLICO, o Governo admitia pagar na mesma moeda, fechando as portas ou impondo restrições aos países que estão a discriminar os turistas portugueses. “Portugal reserva-se o direito de aplicar o princípio da reciprocidade”, avisa.

O embaixador da Dinamarca em Portugal disse, no dia seguinte, esperar que possa ser revertida a decisão de excluir Portugal da reabertura, dia 27 de Junho, das suas fronteiras, por causa dos níveis de contágio de covid-19.

Questionado sobre uma eventual “retaliação” aos países que nos últimos dias têm imposto restrições a viajantes oriundos de território português, António Costa afirmou, numa conferência de imprensa a 19 de Junho, que “não é prática de Portugal fazer retaliações” ou de “ter esse tipo de visão das relações internacionais”.