Creme para clarear a pele Fair & Lovely vai mudar de nome

Dare, Care e Fresh são algumas das sugestões para substituir a palavra Fair (claro) no nome da gama de produtos da Unilever que domina o mercado do Sul da Ásia.

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A petição #AllSahdesAreLovely, iniciada na Change.Org, já ultrapassou as dez mil assinaturas Reuters/AMIT DAVE

A multinacional Unilever vai retirar a palavra Fair (claro) da marca de produtos para clarear a pele Fair & Lovely, popular no Sul da Ásia, mas há muito criticada por promover estereótipos negativos contra pessoas de pele mais escura.

A iniciativa pretende dar resposta à crescente revolta nas redes sociais contra atitudes ou práticas racistas, após o crescimento do movimento Black Lifes Matter, criado após o homicídio do norte-americano George Floyd por um agente da polícia.

Os produtos comercializados para clareamento de pele têm um mercado enorme no Sul da Ásia devido à obsessão da sociedade por tons de pele mais claros, mas essas noções estão a ser cada vez mais questionadas à medida que as percepções mudam. A Johnson & Johnson anunciou este mês que vai deixar de vender cremes para clarear a pele, produtos populares na Ásia e no Médio Oriente. 

“Reconhecemos que o uso das palavras ‘claro’ e ‘branco’ sugiram um ideal de beleza singular que não achamos correcto e queremos abordar isso”, disse Sunny Jain, presidente da divisão de Beleza de Cuidados Pessoais da Unilever, em comunicado. A marca Fair & Lovely da Unilever domina o mercado do Sul da Ásia, e produtos semelhantes são também vendidos pela L'Oréal e Procter & Gamble.

“Estamos a tornar o nosso portfólio de produtos para a pele mais inclusivo... um retrato de beleza mais diversificado”, referiu Sanjiv Mehta, presidente da Hindustan Unilever, noutro comunicado.

A Unilever possui 67% da Hindustan Unilever, a sua unidade na Índia. Ambas as empresas também vendem os populares produtos Dove e Knorr.

Na Índia, produtos para clarear a pele há muito que são apoiados pelas principais celebridades de Bollywood e outros ícones da juventude.

Os anúncios apresentam, normalmente, dois rostos, mostrando a evolução do tom da pele e guias de tonalidades para se perceberem as “melhorias”. A Hindustan Unilever refere que já não faz esse género de publicidade desde o ano passado e que “[os anúncios] vão continuar a evoluir para mostrar mulheres com diferentes tons de pele, que representem a variedade de beleza presente na Índia”.

Muda o nome, mantém-se o creme

A mudança do nome da gama de produtos está sujeita a autorizações regulamentares, informou a empresa num documento dirigido às bolsas, que não especificava qual vai ser a nova designação. No entanto, segundo a Reuters, estão a ser consideradas algumas opções como Dare & Lovely, Care & Lovely e Fresh & Lovely, e que produtos com o antigo nome não vão ser recolhidos. “Uma recolha é feita quando o produto tem um problema — tenham em consideração que a qualidade não está a ser questionada, apenas o nome”, apela a fonte.

Este mês, activistas iniciaram petições na Change.Org, que conseguiram milhares de assinaturas, incluindo a de Nina Davuluri que, em 2014, se tornou a primeira americana com ascendência indiana a ser coroada Miss América.

“Tenho arrepios ao ler isto! Parabéns, @Unilever”, escreveu no Twitter, na quinta-feira, Chandana Hiran, uma directora financeira de Mumbai que começou a petição #AllShadesAreLovely na plataforma Change.Org.

Separadamente, uma fonte da L'Oréal na Índia revela que a empresa de cosméticos francesa também está a debater o assunto devido às reacções. “Palavras como clarear [a pele] e branqueamento podem, em breve, tornar-se o passado dos rótulos e propostas de vendas de produtos”, afirmou a fonte.

A L'Oréal indiana recusou-se a comentar e a L'Oréal francesa não respondeu a um e-mail que procurava um comentário imediato.

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