Covid-19. Mais três mortes em Portugal. Lisboa ultrapassa Norte no total de casos desde início da pandemia

Desde 16 de Março que os números do Norte desde o início da pandemia eram superiores aos de Lisboa e Vale do Tejo. Isso mudou esta quarta-feira: esta região já registou 17.527 casos positivos. E a maioria dos novos casos foi ali registada: 82% das 367 novas infecções.

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Manuel Roberto

Portugal regista, nesta quarta-feira, mais três mortes por covid-19, o equivalente a um aumento de 0,19%, fazendo aumentar o total de mortes para 1543. Há, ainda, 367 novos casos de infecção por covid-19, o equivalente a uma taxa de crescimento de 0,9%, fazendo aumentar o total de casos para 40.104. Estes são os dados do relatório de situação diário da Direcção-Geral da Saúde.

Os três mortos registaram-se na região de Lisboa e Vale do Tejo. São um homem com idade entre os 30 e os 39 e duas mulheres, uma com idade entre 40 e 49 anos e outra com 60 a 69 anos.

Há 439 pessoas internadas, 73 das quais em unidades de cuidados intensivos. O número de recuperados ascende já a 26.083, mais 254 do que na terça-feira. Feitas as contas, o número de casos activos cifra-se em 12.478. 

A taxa global de letalidade por covid-19 em Portugal fixa-se, neste momento, em 3,8% e, acima dos 70 anos, sobe para 16,6%, anunciou a secretária de Estado Adjunta e da Saúde, Jamila Madeira, durante a conferência de imprensa sobre a situação actual da pandemia de covid-19 no país.

Lisboa e Vale do Tejo ultrapassa Norte em número de casos

A região de Lisboa e Vale do Tejo ultrapassou a região Norte em número de casos positivos: conta, nesta quarta-feira, com 17.527 casos positivos e o Norte com 17.339 (valores acumulados desde o início da pandemia). Não é a primeira vez que tal acontece — foi assim também a 16 de Março, quando ainda havia poucos casos no país. 

Desde essa data, a zona Norte (onde apareceram os primeiros casos de covid-19 a 2 de Março) foi sempre a que mais casos de infecções teve em Portugal, mesmo que a certa altura o número de casos no concelho de Lisboa ou nos concelhos limítrofes fosse superior aos casos existentes em concelhos do Norte.

A 15 de Março, a região de LVT registava 116 casos, mais do que os 103 registados na zona Norte; o mesmo aconteceu no dia seguinte, quando a região da capital registava 142 casos e o Norte tinha 138. Daí em diante, a região Norte passou a ser aquela com mais casos sempre e as diferenças tornaram-se mais evidentes: a 31 de Março, o Norte contava 4452 casos de infecção enquanto a zona de Lisboa tinha 1799. A 14 de Abril, o Norte ultrapassava a barreira dos 10 mil casos de infecção; em LVT, eram 3994. Os números na zona da capital começaram a escalar a partir de Maio e tinham vindo a aproximar-se cada vez mais dos da região Norte.

Foi em Lisboa e Vale do Tejo que se registou, nesta quarta-feira, 82% dos novos casos identificados nas últimas 24 horas: 302. Foram ainda identificados 28 novos casos no Centro, 16 no Algarve, dez no Norte, nove no Alentejo e dois nos Açores. A região autónoma da Madeira não registou nenhuma infecção.

As subidas mais expressivas registaram-se nos concelhos com freguesias que vão continuar em estado de calamidade. Em Odivelas registaram-se 54 novos casos, em Lisboa foram 47, Sintra registou 45, Loures 27 e Amadora 32.

Situação em Lisboa e Vale do Tejo “não está fora de controlo”

A secretária de Estado Adjunta da Saúde explicou que “a situação que se vive em Lisboa e Vale do Tejo está a ser trabalhada como uma situação que não está fora de controlo e como um foco para evitar situações dramáticas”, de forma descentralizada (indo “aos pontos do problema”) e “muito focada”.

Jamila Madeira notou que “aquilo que tem sido utilizado é um foco para a vigilância nas autoridades e um foco para os inquéritos e rastreamentos na saúde pública”, referindo a existência de “dinâmicas de repartição de responsabilidades”.

A secretária de Estado afirmou ainda que o facto de o Serviço Nacional de Saúde (SNS) funcionar “em rede” permite assegurar que a capacidade de internamento em unidades de cuidados intensivos esteja “muito aquém” (da capacidade máxima), “quer na região de Lisboa” quer noutras regiões. “Todos os hospitais da região de Lisboa estão a suprimir as carências quando estas se revelam. Dos números que temos disponíveis, nem o hospital Amadora-Sintra, Fernando da Fonseca nem nenhum outro esta em situação em que não consiga acomodar as necessidades que até agora estão sinalizadas”, concluiu.

Portugal “tem sido muito assertivo na sua política de testes”

Quanto à capacidade de testagem em Portugal, Jamila Madeira assegurou que “temos capacidade instalada”, que “foi também estudada e trabalhada durante toda a pandemia para funcionar em rede” e que “está pronta a ser activada a todo o tempo”.

“Houve um foco grande de rastreio com o início do desconfinamento, não feito só numa lógica de diagnóstico, mas de rastreio massificado, que levou a intensificar alguns números de dados de testagem”, acrescentou, sublinhando que a testagem corresponde à “volatilidade” da dinâmica da pandemia (“excepto nos momentos em que estamos a massificar através dos rastreios”) e que, “comparativamente aos nossos congéneres europeus, quando usamos padrões comparáveis, estamos entre aqueles que mais testam”.

Já a directora-geral da Saúde reafirmou que os testes servem para diagnosticar e que “podem nem servir para grande coisa porque podem dar negativo” caso a pessoa esteja infectada e não seja possível detectar a infecção. É importante “agir rapidamente com pessoas que têm sintomas, mesmo sem o resultado do teste”, disse Graça Freitas, assegurando que “temos uma capacidade grande de testagem”.

“A partir dos diagnósticos positivos, as autoridades começam a fazer uma investigação epidemiológica para encontrar contactos”, notou, acrescentando que “primeiro são testados os contactos próximos” e que “em determinados locais e instituições (como escolas, lares ou enfermarias de hospitais) há indicação para se realizar uma testagem mais massiva”. Já em contexto geral, “a prioridade de testagem deve ser dada às pessoas mais vulneráveis” ou idosas.

“Creio que o nosso país tem sido muito assertivo na sua política de testes”, concluiu Graça Freitas.

Utente de lar em Torres Vedras infectado resulta em oito casos positivos

Questionada sobre um foco de infecção no Centro Hospitalar do Oeste, em Torres Vedras, Jamila Madeira confirmou que “houve um utente de um lar que deu entrada nas urgências e que só mais tarde, depois de regressar ao lar”, realizou um segundo teste de diagnóstico positivo.

Desse caso já resultaram oito casos positivos, estando agora a ser “testadas as equipas de enfermagem e os utentes que estiveram em contacto” com essa pessoa. Além disso, todos os utentes do lar serão testados de forma a “verificar o impacto deste caso positivo”. No boletim desta quarta-feira, Torres Vedras contava com 63 casos positivos, mais um do que na terça-feira.

Empresas “têm um papel social muito importante no controlo da epidemia”

Questionada sobre uma denúncia de alegados casos de infecção pelo novo coronavírus em lojas da cadeia Pingo Doce, a directora-geral da Saúde respondeu que “quando há uma situação em que é feita uma denúncia às autoridades de saúde, essa denúncia tem que ser investigada”. “Os meus colegas estarão certamente a verificar a veracidade dessa denúncia”, garantiu, durante a conferência de imprensa desta quarta-feira sobre a situação da epidemia em Portugal.

Graça Freitas sublinhou ainda que as empresas “têm um papel social muito importante no controlo da epidemia”. “Sabemos hoje, embora isso possa mudar, que o contágio verifica-se sobretudo no interior das habitações, depois em contexto laboral e depois social”, afirmou, destacando que as festas e ajuntamentos “dão origem a muitos doentes ao mesmo tempo que vão para as suas habitações e acabam por contagiar outras pessoas”.

A directora-geral da Saúde reafirmou que as entidades empregadoras têm uma responsabilidade social grande no que cabe a “manter os seus planos de contingência e assegurar que os profissionais tê formação sobre esses planos”. “Se são empresas que têm clientes devem contribuir para que se ajude os clientes a cumprirem as regras”, disse, destacando também a responsabilidade individual de cada um.

Reabertura dos bares: “É uma questão de cumprir regras”.

Em resposta a uma questão sobre as declarações do secretário de Estado da Juventude e do Desporto, João Paulo Rebelo, que admitiu na terça-feira que a reabertura controlada dos bares pode ajudar a impedir a realização de festas ilegais e o ajuntamento de jovens em espaços públicos, Graça Freitas destacou que esta “não é uma questão de abrir ou não abrir, é uma questão de cumprir regras”.

“Se abrir e se quem é dono do bar obrigar os clientes a cumprirem as regras, então poderemos ter um grupo de pessoas que está ali ordeiramente, com distanciamento físico, higienização das mãos, sem estar a trocar objectos e ter um risco relativamente baixo”, referiu a directora-geral da Saúde.

“Tem que haver um compromisso das entidades que têm esses espaços. É mesmo uma carta de compromisso de que vão zelar para que as regras sejam cumpridas”, concluiu, assegurando que esta “não é uma questão em abstracto”.

Em todo o mundo há mais de 9,2 milhões de casos positivos, 470 mil mortes e 4,6 milhões de recuperados desde Janeiro, de acordo com os dados da Universidade Johns Hopkins. 

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