Pandemia de covid-19 “está a crescer a um ritmo alarmante”, diz director-geral da OMS

Tedros Ghebreyesus defendeu que “o mundo precisa de uma colaboração global sem precedentes”. E reiterou que, “quando a vacina ficar disponível, o critério tem de ser quem mais precisa”.

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Tedros Ghebreyesus participou numa seminário coorganizado pela OMS e a pela União Africana Reuters/Denis Balibouse

O director-geral da Organização Mundial de Saúde (OMS) disse esta quarta-feira que a pandemia de covid-19 “está a crescer a um ritmo alarmante” e defendeu a necessidade de apostar nas infra-estruturas necessárias à produção e distribuição de uma vacina.

De acordo com o director da OMS, Tedros Ghebreyesus, “demorou três semanas, no princípio da pandemia, a atingir o primeiro milhão de infectados, mas agora houve mais um milhão de infectados em apenas uma semana”.

Falando num seminário organizado pela União Africana e pela OMS sobre a importância de uma vacina em África, Tedros Ghebreyesus salientou a necessidade de continuarem a ser cumpridas as regras de contenção da pandemia e salientou que, neste continente, já foram entregues 22 milhões de itens de uso pessoal e de protecção.

“Amanhã [quinta-feira] o Governo da República Democrática do Congo vai anunciar o fim da epidemia de Ébola no leste do país, depois de dois anos de luta que resultaram em quase 3500 casos, 2300 mortos e mil sobreviventes”, disse Ghebreyesus, apontando que as lições têm de ser aprendidas.

“Muitas das medidas contra o Ébola são essenciais para combater a covid-19”, apontou, elencando a despistagem de casos, o isolamento, os testes e o mapeamento dos contactos.

“No entanto, não temos ainda uma vacina, e isto faz toda a diferença”, lamentou o responsável, salientando a importância de os países do continente africano se prepararem para o momento em que uma vacina for descoberta.

Maioria das vacinas “vai falhar”

Ghebreyesus defendeu que “o mundo precisa de uma colaboração global sem precedentes, uma acção hoje quer dizer mais vidas salvas e a economia a recuperar mais rapidamente”, acrescentando que das 220 vacinas em desenvolvimento, “é certo que a maioria vai falhar”.

As mais promissoras, prometeu, vão receber o financiamento necessário, mas o principal desafio é garantir que haja poucos atrasos entre a produção e a distribuição.

“Quando a vacina ficar disponível, o critério tem de ser quem mais precisa e os profissionais de saúde, estas são duas das mais altas prioridades”, argumentou o director-geral da OMS.

“A necessidade vai suplantar a capacidade de produção e tem de estar acima da capacidade de pagar; tem de haver princípios de alocação justos, com solidariedade global, empenho e participação de todos os países, numa altura em que os interesses nacionais vão ter de se curvar perante a necessidade global”, concluiu.

A pandemia de covid-19 já provocou mais de 472 mil mortos e infectou mais de 9,1 milhões de pessoas em 196 países e territórios, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

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