União Europeia pode bloquear a entrada de americanos devido à covid-19

Avanço da pandemia nos Estados Unidos continua a preocupar as autoridades europeias. Viajantes do Brasil e da Rússia também poderão ficar impedidos de entrar no espaço comum europeu.

Segundo o New York Times, estão em cima da mesa duas listas de países cujos viajantes poderão ficar de fora da reabertura das fronteiras europeias
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Segundo o New York Times, estão em cima da mesa duas listas de países cujos viajantes poderão ficar de fora da reabertura das fronteiras europeias Reuters/Yves Herman

As dificuldades dos Estados Unidos em controlar o avanço da covid-19 no país deixaram a União Europeia (UE) de pé atrás na altura de reabrir fronteiras com países extracomunitários. O New York Times avança esta terça-feira que a UE poderá bloquear a entrada de viajantes vindos dos Estados Unidos, de acordo com um rascunho de uma lista de nacionalidades e viajantes que a Europa deverá deixar entrar no espaço comum.

Além dos passageiros que tentem chegar a partir dos EUA, também os viajantes do Brasil e da Rússia (respectivamente os segundo e terceiro países com mais casos confirmados no mundo) terão a sua entrada dificultada na UE.

As fronteiras do espaço europeu estão fechadas ao exterior desde meio de Março, mas as sanções fronteiriças vão ser levantadas no dia 1 de Julho. No entanto, diz o New York Times, Bruxelas continua a considerar duas listas de países a excluir da reabertura da Europa, nas quais também se incluem a China, Uganda, Cuba e Vietname. Segundo as fontes do jornal americano, a lista deverá ser revista a cada duas semanas.

A medida é semelhante à tomada por Donald Trump em Março: nessa altura, Trump decidiu repentinamente que a maioria dos viajantes de países europeus estariam impedidos de viajar para os EUA, numa altura que o número de casos na Europa – especialmente em Espanha e em Itália – era bem superior ao número de casos registados do outro lado do Atlântico. Na altura, os EUA tinham apenas 1100 casos e 38 mortos.

Os papéis estão agora trocados, com os EUA a registarem mais de dois milhões de casos e mais de 120 mil vítimas mortais pela covid-19. Os protestos e ajuntamentos do último mês poderão contribuir para uma maior propagação do vírus e a Europa, que ultrapassou há muito o pico da pandemia, quer proteger-se contra qualquer propagação vinda de solo americano.

A medida seria especialmente impactante no turismo: países como França, Itália e Espanha são alguns dos países mais visitados no mundo e, se o ramo já tem sofrido pela queda de turismo dentro de portas europeias, um corte ao turismo americano poderá ter graves resultados na economia do sector.

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