Economia alemã pode cair 6,5% este ano, com retoma moderada em 2021

Conselho Alemão de Especialistas Económicos prevê que, apesar dos estímulos lançados pelo Governo, o regresso da economia aos níveis pré-crise seja demorado

Governo de Angela Merkel está a aplicar medidas de estímulo de grande dimensão para a economia
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Governo de Angela Merkel está a aplicar medidas de estímulo de grande dimensão para a economia LUSA/CHRISTIAN MARQUARDT / POOL

Apesar de o Governo ter abandonado a sua regra de défice zero e de estar a aplicar uma política orçamental expansionista de dimensão nunca antes vista, a economia alemã não deverá regressar ao nível pré-pandemia antes de meados de 2022, registando uma retoma relativamente lenta durante o próximo ano.

A previsão é feita pelo Conselho Alemão de Especialistas Económicos, também conhecido como o “conselho dos cinco sábios”, e constitui uma revisão em baixa face às projecções iniciais realizadas para a economia. Aponta também para um período de recuperação mais prolongado e lento do que o projectado, por exemplo, pela Comissão Europeia em Maio.

Os membros do conselho antecipam uma queda do valor do PIB alemão este ano de 6,5%. Em Março, a previsão de contracção da economia em 2020 ia, de acordo com a gravidade da crise sanitária, de 2,8% a 5,4%.  

Os especialistas, à semelhança do que tem acontecido com a generalidade das entidades que fazem previsões económicas, tornaram-se nos últimos meses mais pessimistas, à medida que se vai constatando o efeito severo que as medidas de confinamento estão a ter na actividade.

Já em Maio, a Comissão Europeia tinha projectado uma quebra de 6,5% no PIB alemão em 2020. No entanto, existe uma diferença entre as projecções então feitas em Bruxelas e aquilo que os cinco sábios alemães estimam agora: a velocidade da retoma vai afinal ser mais lenta.

Enquanto a Comissão apostava que o PIB alemão crescesse, em 2021, 5,9%, o conselho económico projecta uma variação do PIB de apenas 4,9% e avisa que qualquer sinal de reaparecimento de uma onda de contágio do coronavírus pode colocar em causa a retoma da economia.

Na nota em que anuncia as suas novas previsões, o conselho independente de especialistas alemã assinala a existência de uma “incerteza considerável”, realçando ainda assim que as medidas de estímulo aprovadas pelo Governo alemão contribuem de forma decisiva para a recuperação esperada para a economia.

Na Alemanha, nos últimos meses, tem-se assistido a uma viragem significativa no pensamento dominante sobre a política orçamental. Não só foi abandonada a regra do défice zero, como o executivo está a apostar num reforço significativo do investimento público, numa tentativa de contrariar os efeitos recessivos da pandemia.

Para além disso, a Alemanha passou a apoiar, a nível europeu, um maior nível de transferências entre os países mais ricos e os países mais pobres para evitar uma ainda mais acentuada tendência de divergência dentro da União europeia.

Nas suas previsões, os cinco economistas alertam para a possibilidade de uma quebra acentuada da economia da zona euro em 2020, de 8,5%, um valor que não só é substancialmente maior do que o previsto pelo governo alemão, como também fica acima dos 7,7% projectados pela Comissão Europeia.

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