Benfica deu a mão, FC Porto quis o braço e já lidera com algum conforto

Marega, que não marcava há cinco jogos, esteve em destaque pelas jogadas que criou e pelos golos que marcou, “desbloqueando” um jogo vital para o FC Porto. E este líder, afinal, quer mesmo ser líder.

boavista,futebol,desporto,fc-porto,i-liga,futebol-nacional,
Fotogaleria
Jogadores portistas celebram no Dragão LUSA/JOSE COELHO/POOL
boavista,futebol,desporto,fc-porto,i-liga,futebol-nacional,
Fotogaleria
Sérgio Oliveira LUSA/JOSE COELHO / POOL
boavista,futebol,desporto,fc-porto,i-liga,futebol-nacional,
Fotogaleria
Lance do jogo entre o FC Porto e o Boavista LUSA/JOSE COELHO/POOL
boavista,futebol,desporto,fc-porto,i-liga,futebol-nacional,
Fotogaleria
Festa dos jogadores do FC Porto LUSA/JOSE COELHO / POOL

Já sabendo da derrota caseira do Benfica, o FC Porto entrou em campo com motivos mais do que suficientes para não voltar a vacilar. E não o fez. O Benfica “deu a mão”, mas os “dragões” quiseram o braço, não se limitando a vencer o jogo. Com uma grande exibição, golearam o Boavista de forma clara, por números que até poderiam ter sido mais expressivos. O 4-0 surge num desempenho convincente e deixa os portistas com mais três pontos do que os benfiquistas no topo da I Liga – uma vantagem que, na prática, até é de quatro pontos, fruto da vantagem no confronto directo.

Antes da partida, Sérgio Conceição pediu mais penáltis, mais lances de área e mais oportunidades de golo aos “dragões”. E teve tudo isto, depois de ter feito uma “invenção” e elaborado um “onze” muito ofensivo na teoria – pelas peças escolhidas – e mais ainda na prática – pela disposição que tiveram no relvado.

O 4x4x2 foi, quando a equipa tinha a bola, algo próximo de um 2x6x2, com os laterais projectados no corredor – sobretudo Tomás Esteves, já que Corona foi utilizado como 10, nas costas de dois avançados. Uma equipa muito ofensiva, que permitiu aos “dragões” entrarem pressionantes e “abafar” o Boavista. Mas faltou o que tem faltado: a eficácia.

Na primeira parte, o FC Porto cumpriu o repto de Conceição, mas apenas pela metade. Pepe cabeceou aos 13’, após cruzamento de Sérgio Oliveira, e Marega rematou contra a “muralha” boavisteira aos 16’, após jogada de Tomás Esteves.

Depois de uma fase de maior equilíbrio, com o Boavista a conseguir um par de saídas rápidas que deixaram os portistas algo receosos – notou-se pelo reposicionamento imediato dos laterais –, o FC Porto voltou à carga. Aos 40’, Otávio inventou um lance que Corona, com pouco espaço, finalizou mal. Aos 45’, Marega, lançado na direita, cruzou para Soares não conseguir finalizar perto da baliza.

Sem ser sufocante, o FC Porto teve lances suficientes para marcar, mas não marcou. Nada a que os adeptos não estejam habituados nos últimos tempos.

Uma substituição certeira

Após o intervalo, Conceição tirou o até então enérgico e envolvido Tomás Esteves por Manafá. E aquilo que seria uma alteração teoricamente errada, dado o rendimento satisfatório do jovem lateral, acabou por ser um tiro em cheio.

Aos 53’, Manafá e Otávio inventaram uma jogada em combinações curtas e entregaram a bola a Corona. Aqui, bastou esperar que o mexicano fizesse o que tem feito durante toda a época: ser criativo e, essencialmente, determinante.

Com um grande trabalho entre linhas, Corona recebeu a bola e isolou Marega, que marcou um golo cinco jogos depois e dedicou a Marcano, jogador lesionado para alguns meses.

Terminou o sofrimento do FC Porto, terminou a seca de golos de Marega e terminou, consequentemente, a falta de golos dos avançados portistas, que têm visto ser os defesas a “mandar” na arte do golo.

A partir daqui, o FC Porto controlou melhor a partida, estando claramente menos ansioso na procura de soluções verticais na área adversária. O futebol começou a fluir melhor e tanto melhor fluía quanto mais vezes Corona tocava na bola, entre linhas, na zona central. O Boavista nunca se adaptou à presença do mexicano naquela zona, algo que baralhou as marcações não só ao próprio Corona, mas também a Marega, bastante mais móvel e menos vigiado do que nos últimos jogos.

Aos 59’, o maliano fez valer esta confusão nas marcações, entrou na área – sempre descaído para o lado direito, entre o central e o lateral – e, apesar de o portista estar perto da linha de baliza, Dulanto cometeu um penálti tão claro como escusado. E Alex Telles não falhou, marcando o nono golo na I Liga – é o melhor marcador do FC Porto.

Depois de uma dupla oportunidade para Otávio, primeiro, e Corona, depois, Marega foi novamente lançado em profundidade. A jogada portista foi sempre a mesma e o resultado foi quase sempre bom. O maliano ganhou outro penálti – desta vez por mão na bola – e Alex Telles deixou Sérgio Oliveira bater o pontapé. O desfecho não mudou e o português “matou” o jogo.

Numa fase em que o FC Porto já controlava o jogo de forma tranquila, a equipa ainda arranjou tempo para repetir uma receita. A tal de aproveitar a fraca vigia a Marega. Fábio Vieira isolou o avançado, que fez o 4-0.

O FC Porto vai dormir como líder confortável, depois de uma exibição muito bem conseguida e de uma solução bem inventada por Conceição. E já só não será campeão nacional “se não quiser”.

Sugerir correcção