O autocarro Into the Wild “voou” para um lugar mais seguro

Abandonado em 1961, o “autocarro mágico” associado à história de Christopher McCandless — e a outros momentos trágicos — foi removido com a ajuda de um helicóptero da guarda nacional como medida de segurança.

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Um autocarro abandonado algures no interior do Alasca popularizado pelo livro Into the Wild, de Jon Krakauer (1996), e pelo filme de Sean Penn (de 2007) com o mesmo nome (O Lado Selvagem, em Portugal), foi removido com a ajuda de um helicóptero da guarda nacional como medida de segurança.

O “autocarro mágico”, onde Christopher McCandless, protagonista do livro e do filme, morreu à fome em 1992 depois de 114 dias retido no local, foi removido do sítio onde há muito estava estacionado e depois de o mesmo se ter tornado uma atracção para aventuras arriscadas, às vezes mortais.

Nenhuma das histórias trágicas em redor deste autocarro, abandonado em 1961, são ficção. Primeiro foi McCandless, de 24 anos, que morreu à fome por não ter conseguido voltar a casa por causa do aumento do caudal do rio Teklanika. O explorador solitário escreveu tudo num diário, descoberto quando seu corpo foi encontrado. Ao longo dos anos, o autocarro tornou-se um íman para fãs. E alguns deles perderam a vida nessa “peregrinação” — duas mulheres, uma suíça em 2010 e uma da Bielorrússia em 2019 afogaram-se quando tentavam chegar ao autocarro.

As autoridades confirmam que desde 2009 já registaram 15 outras operações de busca e salvamento, incluindo uma para resgatar cinco turistas italianos no Inverno passado.

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“Incentivamos as pessoas a aproveitar as áreas selvagens do Alasca com segurança e entendemos o interesse deste autocarro”, admitiu Corri A. Feige chefe do Departamento de Recursos Naturais. “Mas sabemos que este é um veículo abandonado e em deterioração que estava a custar a vida a alguns visitantes”.

Na sua página de Facebook, a Guarda Nacional mostrou alguns detalhes desta última operação em torno do autocarro Into the Wild. Uma dúzia de elementos do 1º Batalhão, 207º Regimento de Aviação foram destacados e passaram cinco horas a limpar o terreno e a içar o objecto “bus 142” dos anos 40. “Tivemos a sorte de a Guarda Nacional do Exército do Alasca poder fazer o trabalho como uma missão de treino para o transporte de veículos aéreos e assim sendo sem nenhum custo para o estado”, sublinhou.

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“Fiquei surpreendida quando me informaram”, disse Carine McCandless, irmã de Christopher, à Associated Press. “Embora esteja triste com a notícia, a decisão foi tomada com boas intenções. O autocarro não pertence a Chris e não pertence à família dele”, esclareceu.

Ainda não se sabe onde poderemos voltar a ver o “autocarro mágico” — e uma mala de objectos que foi guardada. Estará certamente num sítio mais seguro.

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