Trim, Trim! É o sr. Centeno? Ganhou o cargo!

Como é que o sr. Centeno vai avaliar assuntos sobre os quais teve uma palavra decisiva enquanto ministro das Finanças? Para o sr. António Costa não há problema: contratam-se Mandrake e David Copperfield e cria-se a ilusão de que não há qualquer incompatibilidade.

No sempre inesquecível Sim, Sr. Primeiro-Ministro, Humphrey e Jim Hacker tentam, num episódio, resolver o destino de uma figura pública. Humphrey diz: “Dê-lhe algo de importante. Pelo que é que ele se interessa? Por televisão?” Hacker riposta: “Ele nem sequer tem televisor.” Face a isso, Humphrey tem uma ideia de génio: “Óptimo. Faça dele governador da BBC.” Com o sr. Mário Centeno não há esse perigo. O sr. António Costa não o deseja como presidente da RTP. Ou mesmo da Companhia das Lezírias ou do Autódromo do Estoril. No círculo do poder todos o querem como governador do Banco de Portugal. A sua previsível nomeação para o cargo segue uma infalível lógica: certos lugares são normalmente distribuídos por pessoas que é preciso recompensar ou que é necessário afastar em férias prolongadas. Até aqui, nada de novo em Portugal. Muitas vezes, a nomeação de alguém para um cargo parece um programa de rádio que fez sucesso há muitas décadas: Quando o Telefone Toca. Era assim: “Trrim, trrim!”; “Boa noite, posso dizer a frase?”; “Ser governador do Banco de Portugal é bem bom!”; “Acertou. Qual é o seu nome?”; “Mário Centeno”. Neste caso, o conto de fadas nem precisou da encenação.