EUA
Trump admite que cortar todos os laços com a China é uma “opção” para os Estados Unidos
O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou esta quinta-feira que cortar todos as pontes com a China é “uma opção”, numa altura em que existe um ambiente de tensão entre as duas principais potências mundiais.
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“Os Estados Unidos, naturalmente, mantêm uma opção política, sob várias condições, de cortar todas as pontes com a China”, afirmou Donald Trump numa publicação no Twitter.
Trump pronunciou-se em resposta às observações feitas pelo representante comercial dos Estados Unidos, Robert Lighthizer.
Numa audição na Câmara dos Representantes, na quarta-feira, o responsável afirmou que a China tinha até agora respeitado os termos de um acordo entre os dois países e que cortar as pontes entre Pequim e Washington era agora impossível. “Era uma opção há anos, mas não me parece que seja uma política razoável nesta fase”, considerou Robert Lighthizer.
Washington questiona a “credibilidade” dos novos números chineses
A controvérsia sobre a gestão do novo coronavírus agravou significativamente as relações já tensas entre as duas principais potências mundiais.
Os Estados Unidos puseram esta quinta-feira em causa a “credibilidade” dos números divulgados pela China sobre o ressurgimento de novos casos de covid-19 em Pequim, apelando ao envio de observadores “neutros”.
O Ministério da Saúde chinês comunicou 158 casos desde a semana passada na capital, que tem uma população de 21 milhões de habitantes, assegurando ao mesmo tempo que a epidemia estava “sob controlo”.
“Gostaria de acreditar que os números” estão “mais próximos da realidade do que aquilo que foi visto em Wuhan e em outras partes da China, mas isso ainda está por ver”, disse aos jornalistas o secretário de Estado Adjunto dos Estados Unidos para a Ásia Oriental, David Stilwell.
Washington acusa as autoridades chinesas de mentirem sobre os números oficiais, que ascendem actualmente a quase 83.300 casos e a mais de 4600 mortos desde que a covid-19 foi sinalizada pela primeira vez na cidade de Wuhan, no final de 2019.
O Governo de Donald Trump acredita também que Pequim escondeu a amplitude inicial e a gravidade da epidemia, o que facilitou a propagação do vírus que já matou mais de 450 mil pessoas em todo o mundo e forçou os governos a confinarem as populações e a paralisarem as suas economias.
“Quando se trata de dados, a credibilidade é importante. E quando se perde credibilidade, é muito difícil recuperá-la”, disse Stilwell, citando “avaliações muito credíveis e não politizadas de publicações científicas”, segundo as quais seria simplesmente “impossível” que o balanço oficial da China correspondesse à realidade, podendo ser “dez vezes” superior.
Para David Stilwell, a “única forma” de “restaurar” a credibilidade da China seria “aceitar o destacamento de observadores neutros para ajudar a compreender exactamente o que aconteceu” no início da pandemia.
O diplomata assegurou que o Secretário de Estado norte-americano, Mike Pompeo, tinha deixado claro este pedido de “transparência” ao alto funcionário chinês Yang Jiechi na sua reunião de crise no Havai, na quarta-feira.