Se entre a nossa primeira, segunda e terceira memória há traços de união, uns fios de seda translúcida, quase transparentes, que antes ignorávamos, e se entre a quarta, quinta e sexta memória — as da emancipação, do ódio e da pergunta do destino humano — há traços de união mais fortes e celebrados, corriqueiramente glosados como sendo os que unem iluminismo a modernidade e contemporaneidade — que ligação há entre a primeira, segunda e terceira memória, por um lado, e a quarta, quinta e sexta memória? Haverá um elo perdido entre a primeira e a segunda metade da nossa história?
A haver, o elo perdido teria de ser Espinosa. Espinosa é muitas vezes considerado — mais recentemente, reconsiderado — um filósofo inaugural da modernidade. Mas, por outro lado, Espinosa é também o culminar de uma tradição filosófica perdida — essa que vem do aristotelismo e do platonismo muçulmano, principalmente de Al Farabi, e que passa por Maimónides — da qual ele emerge e à qual de certa forma se opõe, dependendo da leitura que dele se faz.
O problema é que eu receava começar a escrever sobre Espinosa. E assim fui empurrando com a barriga, até que este epílogo se tornou um episódio especial sobre Espinosa, a memória, e os agoras de que somos feitos.
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Agora, agora e mais agora é um podcast de histórias da história para tempos de quarentena. Baseado num livro em progresso com o mesmo título, de Rui Tavares, Agora, agora e mais agora percorre mil anos de história europeia e global tendo por objectivo actualizar os dilemas das pessoas do passado e colocar em perspectiva histórica os dilemas das pessoas do presente.
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