Crónica de jogo

Numa ponta final contra nove, Benfica aproveita “oferta” do FC Porto

“Encarnados” vencem o Rio Ave, em Vila do Conde, e partilham agora a liderança do campeonato.

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LUSA/JOSE COELHO/POOL

Há coisas certas no futebol. Que se jogarão pelo menos 90’, que haverá uma bola a rolar em cima da relva e, no caso dos jogos do Benfica, é quase certo que haverá um golo sofrido de bola parada. Nesta quarta-feira, os “encarnados” voltaram a sofrer por esta via e correram “risco de vida”. Mas sobreviveram. Já perto do final, Weigl permitiu aos “encarnados” baterem o Rio Ave, por 1-2, aproveitando a cerca de meia hora a jogar contra dez e 20 minutos contra nove. E a “oferta” do FC Porto, com o empate frente ao Desp. Aves, não foi desaproveitada.

No sempre ventoso Estádio dos Arcos, a primeira parte foi um jogo muito interessante de seguir. Com o Benfica muito pressionante – e bem coordenado na pressão, sem corrida desenfreada ao homem da bola – e o Rio Ave competente a sair desde trás, houve um jogo de permanente “gato e rato” na primeira fase de construção nortenha. Num sistema mais próximo do 4x3x3 do que do 4x4x2, com Taarabt menos próximo de Dyego do que tem sido habitual no segundo avançado de Lage, os “encarnados” surgiram bem na partida e somaram mesmo os primeiros lances de perigo relativo – Dyego e Rafa não finalizaram aos 5’, Nuno Tavares rematou torto aos 12’ e Dyego, bem lançado por Taarabt, rematou para fora aos 16’.

Aos 26’, não houve nada diferente do que já tem havido. Bola parada a favor do adversário do Benfica e… golo. Livre de Nuno Santos, Dyego cortou mal a bola e Taremi encostou sem qualquer dificuldade. Mais uma vez, uma bola parada mal defendida pelo Benfica, algo já habitual nesta temporada. É caso para dizer que até o Rio Ave – a equipa que menos golos faz de bola parada – é capaz de marcar ao Benfica desta forma.

A partir do golo vila-condense houve um claro impacto mental no Benfica, medido por factores habitualmente claros a este nível: receio de pressionar tão alto como até então, linhas de pressão mais baixas e, sobretudo, sucessão de erros técnicos no passe. Mentalmente retraído pelo golo, o Benfica ainda permitiu dois lances perigosos ao Rio Ave, aos 35’ e 40’, antes de um lance que poderia ter mudado a partida.

Perto do intervalo, Taarabt arranjou forma de passar por dois adversários – o rasgo individual parece ser, por agora, o que resta ao Benfica – e serviu Rafa, que finalizou isolado. Depois de minutos de análise, o VAR viu, e bem, que Dyego, em posição de fora de jogo, influencia a acção do adversário, tentando jogar a bola. E o intervalo chegou com o Rio Ave na frente.

Na segunda parte, o Benfica entrou com Seferovic no lugar do errático Dyego e o suíço enviou logo uma bola à trave, de cabeça. Sem entrar tão forte como na primeira parte, e já depois de ter apanhado outro susto numa bola parada, o Benfica aproveitou o facto de ter um adversário que não se importa de se desposicionar para poder sair para o ataque. E foi isso que levou Musrati a ter de parar Rafa em falta numa transição — viu o segundo amarelo. Logo a seguir, já sem Taarabt, o Benfica, sem o melhor jogador até então, ganhou Vinícius no ataque. E ainda com os centrais vila-condenses naturalmente desacertados nas marcações, um cruzamento de Nuno Tavares permitiu a Seferovic empatar o jogo (64’). 

Aos 75’, Nuno Santos entrou com os pitons no peito de Pizzi e foi expulso. Benfica com 11, Rio Ave com nove.  E o até então corajoso Rio Ave fechou-se, naturalmente, na própria área. E, como já tem sido habitual, o Benfica sofreu para encontrar espaços contra uma equipa que se remeteu à defesa — nestes últimos 15 minutos, faltou um facilitador como Taarabt. O tal que saiu aos 62’.

Até que, num canto, chegou a salvação do Benfica. Weigl saltou sozinho e cabeceou “à ponta-de-lança”. O (caro) médio alemão de quem muitos desconfiam já dá vitórias. E, para já, permite ao Benfica recolocar uma das mãos no objectivo do título. A outra é a do FC Porto.

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