Do patrão à produtividade

Portugal precisa de uma vez por todas de criar condições para um crescimento económico significativo e sustentável, que nos coloque novamente no caminho da média da União Europeia.

Anos antes de receber o Prémio Nobel da Economia pelo seu trabalho sobre vantagens de escala nas relações comerciais entre países, Paul Krugman referiu que a produtividade, apesar de não ser tudo, é quase tudo principalmente no longo prazo.

Apesar de a produtividade ser um importante indicador, Portugal nunca lhe prestou a devida atenção. O nosso país historicamente nunca se preocupou com questões de produtividade de qualquer dos fatores produtivos.

Melhorias da produtividade implicam aumentos de competitividade, sendo que pouco temos progredido nestes indicadores. Países com baixas produtividades tornam-se países pouco competitivos e isso em termos de economia global paga-se caro, tanto mais que já não podemos desvalorizar a moeda.

Com os novos apoios previstos pela União Europeia para fazer face à crise provocada pela covid-19, convinha não esquecermos os aumentos de produtividade (que tanto foi esquecida no passado), para promover a competitividade da economia portuguesa. Não chega recuperarmos o turismo que perdemos por causa da pandemia, temos de progredir na produtividade, na qualidade e na cadeia de valor, para podermos aspirar a termos melhores salários.

Por outro lado, não podemos esquecer de criar condições para a atração de investimento estrangeiro, que normalmente paga melhores salários aos seus trabalhadores pois é mais produtivo e também não gastar dinheiro em investimento público improdutivo, que como se viu no passado apenas nos deixou dívida pública para pagar.

Mas não pode ser só o Estado a promover o aumento da produtividade, o setor empresarial também tem aqui um importante papel. Em Portugal, em termos empresariais temos um grave problema secular: muitos patrões, alguns empresários e poucos (mesmo poucos) gestores.

Quando o Partido Comunista fala mal do patronato tem toda a razão (não devem é falar mal dos verdadeiros gestores). O patronato é uma classe de impreparados, exploram os seus trabalhadores, provocam insolvências, destroem valor e têm uma enorme falta de visão. Na verdade, são terrivelmente míopes ao ponto de estarem sempre a dar tiros nos próprios pés. O patronato não faz por mal, o problema é que não sabe fazer melhor, mas também não se esforça por aprender e tem aversão aos mais preparados, pois têm medo de que lhes ocupem os lugares. Não me revejo na figura do patrão, mas sim na figura do gestor que se preocupa de verdade com a empresa ou organização e com todos os stakeholders.

Como não existe uma varinha mágica que transforme de imediato patrões em gestores, é necessário apostar em formação profissional exclusiva para empresários. Normalmente a formação destina-se aos funcionários das empresas, pois o patronato acha que não precisa, mas os empresários precisam e muito de formação em gestão. Só com formação orientada é que estes conseguirão melhorar a produtividade das suas empresas e por consequência a competitividade global do país.

Portugal precisa de uma vez por todas de criar condições para um crescimento económico significativo e sustentável, que nos coloque novamente no caminho da média da União Europeia.

O autor escreve segundo o novo acordo ortográfico