Mercados animados com novas medidas da Reserva Federal

Reserva Federal norte-americana anunciou que vai passar a comprar obrigações empresariais, trazendo os investidores de volta aos activos de maior risco.

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LUSA/JUSTIN LANE

Depois da ansiedade trazida pelas notícias que revelam o risco de uma segunda vaga da pandemia na China, nada como um novo estímulo dos bancos centrais para trazer de volta aos mercados financeiros o optimismo e a vontade de arriscar.

No início da sessão desta terça-feira, as bolsas europeias, replicando aquilo que foi o fecho registado no dia anterior nos Estados Unidos e o arranque das bolsas asiáticas algumas horas antes, registaram valorizações significativas. Ao fim da primeira hora de sessão, o índice Stoxx 600, que junta as principais empresas cotadas na Europa, apresentava uma valorização de 2%. Na bolsa de Lisboa, o índice PSI-20 subia 1,72%, em linha com os outros mercados europeus.

A razão para estas subidas está, de acordo com a generalidade dos analistas, ligada ao anúncio feito pela Reserva Federal norte-americana (Fed) na segunda-feira ao fim do dia de que irá começar a realizar compras de dívida emitida por empresas. É um passo que era há muito esperado pelos mercados e que contribui para injectar liquidez nos mercados, melhorando as condições financeiras das empresas norte-americanas. Até agora, a Fed realizava compras de dívida do sector público, principalmente a emitida pelo tesouro norte-americano, mas também pelos Estados e pelos maiores municípios dos EUA.

Nos últimos dias, com as notícias de regresso de infecções de covid-19 na China, acentuou-se a ideia de que se poderá vir a assistir a uma segunda vaga da pandemia, o que fez os investidores retraírem-se. A acção da Fed, no entanto, parece ter conseguido contrariar esse sentimento.

Assiste-se em particular a um regresso do investimento a activos com maior risco, como as acções, e à menor procura de activos seguros, como as obrigações do tesouro de países como os EUA e a Alemanha. As taxas de juro da dívida portuguesa, por seu lado, estão a registar uma ligeira descida.

Os bancos centrais têm tido nesta crise, tal como nas anteriores, um papel decisivo na manutenção da estabilidade nos mercados financeiros. É isso que explica em larga medida que, apesar de se estar a atravessar a maior crise económica mundial desde a Grande Depressão dos anos 30 do século passado, as bolsas mundiais estejam praticamente sem perdas desde o início deste ano.

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