ComercioDigital.pt quer chegar a 50 mil entidades de comércio e serviços

Programa arrancou esta terça-feira e qualquer empresa pode inscrever-se de forma gratuita. Ministro da Economia diz a digitalização do comércio é “absolutamente essencial”.

Compras online dispararam durante o período de confinamento social
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Compras online dispararam durante o período de confinamento social Paulo Pimenta

Aproveitar o impulso dado pela pandemia e/ou estar preparado para um eventual novo surto da doença. Todos os argumentos são bons para incentivar a digitalização do pequeno comércio e serviços, no âmbito do programa ComercioDigital.pt, criado em 2019, e agora relançado, aproveitando diversos apoios, entre os quais os cerca de 30 milhões de euros inscritos no Programa de Estabilização Económica e Social (PEES).

O programa, criado pela ACEPI - Associação da Economia Digital, com o apoio da CCP - Confederação do Comércio e dos Serviços de Portugal e de outros parceiros, quer chegar a 50 mil empresas, assegurando, numa primeira fase, o acesso gratuito a ferramentas digitais básicas, como um endereço electrónico ou criação de um site.

Numa segunda fase, como explicou ao PÚBLICO o presidente da CCP, João Vieira Lopes, “pretende-se evoluir para soluções mais alargadas, como a criação de maket places [agregação de empresas nas vendas online], ou outras”.

A cerimónia de relançamento do ComercioDigital.pt contou com a presença do ministro da Economia e da Transição Digital, que considera “absolutamente essencial” dar continuidade à digitalização do comércio e serviços em Portugal.

“A covid-19 teve impactos muito trágicos na nossa actividade económica, mas nesta área trouxe duas coisas muito importantes: em todo o mundo as pessoas aperceberam-se da importância crucial que a actividade comercial tem para o nosso bem-estar e modo de vida e tornou-se óbvio, que se não fosse o contacto digital, teria sido muito mais difícil assegurar o acesso a bens e serviços fundamentais e manter a actividade de muitas empresas do sector”, afirmou Pedro Siza Vieira.

 “Temos bem noção que esta segunda fase do programa é muito importante. O comércio e serviços são indispensáveis à vida moderna e à capacitação das empresas e dos consumidores para a modernização e prosperidade da nossa sociedade”, sustentou Pedro Siza Vieira.

O presidente da ACEPI, Alexandre Nilo Fonseca, mostrou-se por sua vez convicto de que as mudanças impostas pela covid-19 serão “para sempre” e que a pandemia terá “consequências profundas na forma de o consumidor se relacionar com as empresas”.

O dirigente associativo reconheceu que “muitos comerciantes não estavam preparados para este desafio”, até porque “encerrar a actividade física e fazer, ao mesmo tempo, a transição para o digital não é fácil”, e frisou que, nesta nova fase, o projecto surge com uma ambição acrescida, não se propondo apenas fomentar a presença online das empresas do sector, mas dando “passos mais à frente” como o impulso, por exemplo, das vendas electrónicas e das transacções digitais.

Já o presidente da CCP destacou a “importância estratégica” do programa, assumindo como “um desafio ao comércio e serviços de proximidade adaptar-se aos novos paradigmas quer em termos de modelo de negócio, quer em termos das aspirações do consumidor”.

Para João Vieira Lopes, para que o projecto se desenvolva é “essencial que as diversas associações comerciais e empresariais do país sejam pólos dinamizadores”, sendo o seu sucesso importante para impulsionar um conjunto de sectores que prestam um “importante serviço ao consumidor e na manutenção do emprego e da empregabilidade”, envolvendo actualmente em Portugal “mais de um milhão de pessoas”.

Para além dos apoios públicos, o ComercioDigital.pt é cofinanciado pelos programas COMPETE 2020 e Portugal 2020 e pela União Europeia/FEDER.

A Academia Comércio Digital, uma das iniciativas do programa, é uma “medida verdadeiramente diferenciadora, completamente gratuita, com sete cursos, tudo ‘online’ e em português”, adiantou Alexandre Nilo Fonseca, presidente da ACEPI - Associação da Economia Digital.

“São sete cursos muito práticos” que ensinam desde a criar um plano de marketing digital como a criar o site do negócio, entre outras componentes, algo que “a maior parte das empresas não sabe ainda fazer”, prosseguiu o responsável. Ou seja, o comerciante inscreve-se e pode passar a usar estas ferramentas gratuitamente para montar o seu negócio.

“Esta é uma forma de dar condições para que ninguém fique para trás”, defendeu Alexandre Nilo Fonseca.

O programa arranca hoje e “qualquer empresa portuguesa, de qualquer dimensão, pode inscrever-se de forma gratuita”, salientou.

“Acho que a academia é um factor diferenciador”, sublinhou o presidente da ACEPI, apontando ainda outra iniciativa, o pacote (voucher) 3EM1, em que é oferecido a microempresas e pequenas e médias empresas (PME) o registo do domínio.pt, gratuito durante um ano, que inclui a oferta de contas de correio e ferramentas para a construção e alojamento dos ‘sites’.

Também durante um ano, será oferecido o selo de confiança Confio.pt, desenvolvido pela ACEPI, que “é colocado no site e que permite aos consumidores saberem que é de confiança”, acrescentou.

O selo Confio.pt é um certificado atribuído aos websites que cumpram as melhores práticas do mercado digital e funciona como uma garantia para os consumidores na aquisição de produtos e serviços através de comércio electrónico e na utilização da Internet, em geral.

Esta iniciativa é promovida pela ACEPI, DECO e pela Associação DNS.pt. “Quem tem o selo português fica validado para o selo europeu”, acrescentou.

O programa também vai ter um ciclo de webinars semanais, com especialistas e uma nova linha telefónica gratuita de apoio nacional ao comércio digital (800 100 236).

O programa Comércio Digital também se apresenta com novo website - (https://www.comerciodigital.pt/) -, que terá um directório com legislação, novos programas, projectos, e ainda uma componente de dicas, tutoriais, tendo em vista apoiar os comerciantes na digitalização do negócio.

A par disso, vai ser lançada uma campanha de comunicação multimeios, que inclui televisão, imprensa, Internet e rádio, com cinco anúncios sobre estes temas.

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